Um vídeo de fiscalização gravado pelo vereador Fernando "Fefê" e publicado no dia 21 de junho já apontava a ausência de profissionais na sala de acolhimento e triagem em um momento de alta demanda no pronto-socorro da instituição.
SÃO MANUEL – Um registro audiovisual realizado nas dependências do pronto-socorro da Irmandade da Casa Pia São Vicente de Paulo expôs o severo impacto do represamento de atendimentos em períodos de pico na unidade de saúde. As imagens mostram a sala de espera principal com todos os assentos ocupados, evidenciando o longo tempo de espera enfrentado por pacientes que buscavam atendimento médico ambulatorial.
Imagens mostram parlamentar nos corredores da Casa Pia durante momento de alto fluxo de pacientes. (IMAGEM REDES SOCIAIS)
A saturação no saguão contrastou diretamente com o cenário observado nos setores internos de atendimento. Durante a inspeção nas instalações, constatou-se que as salas de consulta médica e os postos destinados à aplicação de medicação encontravam-se desocupados de pacientes. O esvaziamento momentâneo dos consultórios decorreu do direcionamento integral do corpo clínico para a ala de urgências graves.
"Vai demorar o atendimento. O doutor deixou claro que tem três emergências, então o pessoal que está aqui na recepção vai ter que ter paciência."
De acordo com as justificativas técnicas repassadas ao parlamentar pela equipe de plantão, o atendimento simultâneo de três casos de alta complexidade clínica exigiu a mobilização prioritária de todos os médicos disponíveis na escala do período. A contingência gerou a interrupção temporária das consultas de menor gravidade na recepção.
Paralelamente à retenção médica, o monitoramento identificou que a sala de triagem e classificação de risco operava sem a presença de profissionais de enfermagem no momento crítico da demanda. A ausência de servidores no setor impediu o adiantamento de fichas cadastrais e a avaliação preliminar das prioridades dos usuários que ingressavam no hospital.

Ouvida pela reportagem, uma especialista em gestão de unidades hospitalares e sistemas de saúde, que não quis se identificar, apontou o que classifica como falhas graves na condução operacional do pronto-socorro. Segundo a analista, a justificativa de que o atendimento a emergências paralisa os consultórios ambulatoriais evidencia uma falha crônica de planejamento.
"O principal erro de gestão em uma unidade de urgência é permitir que o fluxo interno desmonte a estrutura de entrada. A sala de acolhimento e classificação de risco nunca, sob hipótese alguma, pode ficar desguarnecida de profissionais, mesmo durante catástrofes ou múltiplas emergências simultâneas", explicou a especialista.

A profissional pondera que a ausência de triagem agrava o risco clínico dos pacientes que aguardam no saguão. "Sem um profissional na recepção para aplicar o Protocolo de Manchester ou outro sistema semelhante, o hospital perde a visibilidade do risco. Alguém na sala de espera pode sofrer um infarto silenciosamente enquanto a equipe interna atende outra emergência, justamente porque não houve o primeiro filtro técnico", alertou.
Para a especialista, o cenário reflete um problema estrutural relacionado ao dimensionamento de pessoal ou à falta de treinamento adequado para situações de contingência entre as equipes plantonistas.

O vídeo mostra a necessidade de manutenção ininterrupta de funcionários na triagem para organizar o fluxo de entrada de pacientes. "O certo seria deixar todos já com o acolhimento realizado", cobrou, apontando falhas no setor de triagem da Irmandade da Casa Pia São Vicente de Paulo.