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Metrô de SP conclui investigação sobre morte em estação sem apontar falhas específicas
Por Moisés Moura
Publicado em 06/05/2026 10:38
SÃO PAULO

O Metrô de São Paulo concluiu a investigação sobre a morte de um passageiro prensado na Estação Campo Limpo, da Linha 5-Lilás, em 2025, sem დეტalhar quais falhas levaram ao acidente.

A vítima, Lourivaldo Ferreira Silva Nepomuceno, morreu em 6 de maio do ano passado após ficar presa entre o vão e a porta da plataforma enquanto tentava embarcar em um trem operado pela concessionária ViaMobilidade.

Em nota, o Metrô resumiu o resultado da sindicância em apenas uma frase: “as medidas administrativas necessárias para a melhoria dos processos foram adotadas”, sem explicar quais mudanças foram implementadas.

Falhas já eram conhecidas

Documentos do governo estadual e da própria concessionária indicam que problemas no sistema de portas de plataforma já eram conhecidos ao menos três anos antes do acidente.

Casos semelhantes foram registrados:

  • Em novembro de 2021, um passageiro ficou preso na estação Chácara Klabin, e a empresa admitiu que o sistema não atendia totalmente aos requisitos de segurança;
  • O problema voltou a ocorrer em 2022 e também em outras duas ocasiões em 2023.

Apesar disso, soluções efetivas não foram implantadas antes da morte de Lourivaldo.

Medidas após o acidente

Após o caso, a ViaMobilidade instalou barreiras de proteção nos vãos entre o trem e a plataforma nas estações da Linha 5-Lilás. No entanto, sensores de presença — capazes de detectar pessoas no local e impedir a movimentação do trem — não foram instalados.

A concessionária havia prometido implementar esses sensores até fevereiro de 2026, mas a medida não foi cumprida.

Atrasos em portas de segurança

A instalação de portas de plataforma, considerada fundamental para evitar acidentes, também enfrenta atrasos em linhas antigas do sistema.

Na Linha 1-Azul, apenas duas das 23 estações possuem o equipamento. Já na Linha 3-Vermelha, as portas foram instaladas, mas ainda não estão em funcionamento.

Um contrato firmado em 2019 previa a instalação de 88 portas até 2024, mas o prazo já foi adiado duas vezes e segue sem data definitiva para conclusão.

Investigação arquivada

O caso também foi analisado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, que informou que o inquérito policial foi arquivado a pedido do Ministério Público de São Paulo, sem indicação de responsabilização criminal.

Momento do acidente

O acidente aconteceu por volta das 8h, em horário de pico, com a estação lotada. Testemunhas relataram desespero entre os passageiros.

“Pessoas começaram a gritar, chorar”, contou uma mulher que presenciou a situação.

Na época, a ViaMobilidade afirmou que os trens possuem sensores para evitar partidas com portas abertas, mas não há sistemas específicos nos vãos das plataformas.

 

O caso levanta questionamentos sobre segurança e manutenção no sistema metroviário paulista, especialmente diante de falhas já registradas anteriormente e da demora na adoção de medidas mais eficazes.

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