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Justiça arquiva processo contra marido de mulher morta por PM em São Paulo; caso levanta questionamentos sobre abordagem e demora no resgate
Por Moisés Moura
Publicado em 06/05/2026 06:43
SÃO PAULO

A Justiça de São Paulo arquivou o processo contra Luciano Gonçalves dos Santos, marido de Thawanna Salmázio, morta durante uma abordagem policial no dia 3 de abril, na Zona Leste da capital. Ele respondia por resistência, mas o Ministério Público entendeu que não há provas de que tenha agido com violência contra os policiais.

Segundo a promotora Ana Luisa Toledo Barros, não existem evidências periciais de lesões nos agentes nem qualquer elemento técnico que comprove agressão por parte de Luciano. Ela também destacou que a reação do homem, ao tentar se desvencilhar após ver a esposa baleada, é compatível com o estado de tensão provocado pela situação.

“Não há nos autos comprovação de violência por parte do investigado”, afirmou a promotora, ressaltando ainda que o crime de resistência não se configura por mera exaltação verbal ou reação emocional.

Entenda o caso

Thawanna foi baleada durante uma abordagem na madrugada de 3 de abril, na região de Cidade Tiradentes. Ela caminhava com o marido quando o braço dele encostou no retrovisor de uma viatura da Polícia Militar.

O policial que dirigia o veículo deu ré e iniciou uma discussão com o casal. Durante o desentendimento, a policial militar Yasmin Cursino Ferreira, que estava no banco do passageiro, desceu da viatura e efetuou um disparo.

Imagens de câmera corporal mostram que Thawanna não encostou no retrovisor nem iniciou agressão física. Após o tiro, um policial questiona a colega sobre o disparo, e ela afirma ter atirado após supostamente receber um tapa.

Especialistas ouvidos pela imprensa apontam que a ação foi marcada por falhas e abuso, caracterizando mais uma discussão do que uma abordagem policial padrão, além de descumprir protocolos da corporação.

Demora no resgate é investigada

Outro ponto que está sendo apurado é a demora no atendimento à vítima. Thawanna aguardou cerca de 30 minutos até a chegada do resgate, mesmo havendo bases do Corpo de Bombeiros próximas ao local.

Registros indicam que o disparo ocorreu por volta das 2h59. O pedido de socorro foi feito imediatamente, mas o acionamento dos bombeiros aconteceu apenas cinco minutos depois. A ambulância chegou ao local às 3h30.

Durante esse intervalo, policiais demonstraram preocupação com o estado da vítima, que já apresentava sinais de agravamento. O socorro deixou o local às 3h37, e Thawanna foi levada ao hospital, mas não resistiu.

De acordo com o Instituto Médico Legal (IML), a causa da morte foi hemorragia interna aguda. Socorristas apontam que a demora no atendimento pode ter contribuído para o agravamento do quadro.

Investigação segue em andamento

A Polícia Civil continua apurando as circunstâncias da ocorrência, incluindo a conduta dos policiais envolvidos e possível omissão no socorro. A Ouvidoria da Polícia também solicitou investigação por parte da corregedoria da PM.

 

O caso segue repercutindo e levanta discussões sobre preparo policial, uso da força e eficiência no atendimento de emergências.

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