De acordo com familiares, funcionária pública buscou atendimento repetidas vezes com fortes dores de cabeça; diagnóstico de infarto cerebral e meningite foi confirmado após transferência para o HC da Unesp
SÃO MANUEL — Uma moradora do município de São Manuel utilizou as redes sociais para denunciar uma suposta negligência médica e falhas no atendimento prestado à sua irmã, de 36 anos, na rede pública e hospitalar da cidade. Segundo o relato, a paciente que atua como cozinheira em uma escola municipal passou de uma rotina ativa para o estado vegetativo em um período de um mês, perdendo a capacidade de andar, falar e se alimentar de forma autônoma.
De acordo com o histórico apresentado pelos familiares, a paciente sofria com fortes e contínuas dores de cabeça há cerca de dois meses. Nas primeiras consultas nas unidades de saúde locais, o quadro foi diagnosticado e tratado como enxaqueca. Com a persistência dos sintomas, a irmã afirma que a paciente passou a receber calmantes e sedativos, sem que fossem solicitados exames de imagem investigativos. A justificativa médica apresentada, segundo a família, era de que os hemogramas rotineiros apresentavam resultados normais.
"Uma menina de 36 anos, super nova, que trabalha, que é funcionária pública. Em questão de um mês, a vida dela parou."

Entraves na transferência e relatos de maus-tratos
A denúncia aponta que a família solicitou reiteradamente o encaminhamento da paciente para o Hospital das Clínicas da Unesp (Universidade Estadual Paulista), em Botucatu, visando a realização de tomografia ou ressonância magnética. No entanto, os familiares relatam ter enfrentado dificuldades burocráticas e negativas por parte da gestão hospitalar de São Manuel. A transferência só teria sido viabilizada após a intervenção de parlamentares e comunicadores locais.
Além da demora no diagnóstico, a denunciante relatou episódios de suposto atendimento desumanizado e falhas operacionais por parte da equipe de enfermagem durante o período de permanência no pronto-socorro. Entre as queixas estão a falta de suporte físico adequado no manejo da paciente, ferimentos decorrentes de dificuldades em acessos venosos e alegações de comentários ofensivos por parte de funcionárias do setor.

Diagnóstico e quadro clínico atual
Após a transferência para o Hospital das Clínicas da Unesp, exames detalhados — como tomografia de crânio e coleta de líquor — confirmaram que a paciente sofreu um infarto cerebral (Acidente Vascular Cerebral - AVC) decorrente de uma meningite bacteriana ou fúngica crônica.
"Os médicos da instituição de Botucatu teriam informado à família que o quadro de infarto cerebral ocorreu justamente no período em que a paciente estava internada no hospital de São Manuel, antes de ser transferida."
Ainda segundo a equipe médica de Botucatu, a infecção por meningite já se desenvolvia há semanas, o que justificaria as cefaleias crônicas relatadas desde o início do quadro. A família argumenta que o diagnóstico precoce e o acesso a exames básicos de imagem poderiam ter evitado o agravamento e as sequelas.
Atualmente, a paciente permanece internada na Unesp em estado grave. Ela encontra-se intubada, passou por procedimento de traqueostomia e recebe alimentação via sonda.
A direção do Hospital de São Manuel foi procuradas para se manifestar sobre os protocolos adotados no atendimento, bem como sobre a abertura de sindicância para apurar a conduta das equipes mencionadas. Até o fechamento desta reportagem, não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.