Foto: Eduardo Matysiak/Ato Press/Estadão Conteúdo
A fabricante Ypê orientou os consumidores a não utilizarem nem descartarem os produtos suspensos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) até que novas orientações sejam divulgadas pelas autoridades sanitárias. A recomendação foi divulgada pela empresa na noite desta terça-feira (19), após a suspensão atingir detergentes lava-louças, sabões líquidos para roupas e desinfetantes com lotes cuja numeração termina em 1.
Em nota oficial, a empresa também reafirmou que os consumidores que desejarem devolver os produtos poderão solicitar reembolso por meio dos canais oficiais de atendimento da marca.
A decisão da Anvisa ocorreu após inspeções realizadas na fábrica da empresa, localizada em Amparo, em conjunto com órgãos da vigilância sanitária paulista. Segundo a agência, foram encontradas falhas em etapas consideradas críticas do processo produtivo, incluindo problemas em sistemas de controle de qualidade, equipamentos com sinais de corrosão e armazenamento inadequado de resíduos.

Foto: Reprodução/EPTV
A Anvisa informou ainda que a bactéria Pseudomonas aeruginosa foi identificada em mais de 100 lotes de produtos acabados da marca. Especialistas afirmam que a bactéria apresenta baixo risco para pessoas saudáveis, mas pode causar infecções em grupos vulneráveis, como imunossuprimidos, pacientes em tratamento contra câncer, transplantados, pessoas com feridas ou queimaduras, além de bebês e idosos fragilizados.
A orientação é para que os consumidores interrompam o uso dos produtos afetados. Especialistas também recomendam atenção a sintomas como irritações persistentes, febre, secreções ou problemas nos olhos. Em alguns casos, é aconselhada a troca de esponjas utilizadas com os detergentes suspensos e a relavagem de roupas íntimas, toalhas e peças de bebês com outros produtos.
Apesar da medida cautelar, o caso segue em discussão entre a empresa e a Anvisa. A Ypê informou que pretende apresentar novos testes realizados por laboratórios independentes autorizados pela agência para avaliar os lotes colocados no mercado.
A fabricante contesta as conclusões da Anvisa e afirma que a inspeção não encontrou contaminação nos produtos comercializados. A empresa também declarou que as imagens divulgadas da fábrica mostram áreas sem contato direto com os itens vendidos ao consumidor e sustentou que o uso normal dos produtos reduz drasticamente qualquer carga bacteriana. Segundo a companhia, não há registros na literatura médica de infecções causadas por roupas lavadas com detergentes domésticos contaminados.