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Polícia Civil de São Paulo monitora até 15 casos de tortura a animais por madrugada em lives nas redes sociais
Por Moisés Moura
Publicado em 27/04/2026 22:44
SÃO PAULO

A Polícia Civil de São Paulo tem monitorado, durante as madrugadas, entre 10 e 15 casos de tortura a animais transmitidos ao vivo em redes sociais. As investigações apontam que esses crimes fazem parte de dinâmicas organizadas em grupos online e são utilizados como forma de dessensibilização para práticas ainda mais violentas.

De acordo com a delegada Lisandréa Salvariego, coordenadora do Núcleo de Observação e Análise Digital, os maus-tratos — principalmente contra filhotes de gatos — funcionam como uma “porta de entrada” para outros crimes no ambiente virtual, incluindo o incentivo à automutilação.

Segundo a delegada, usuários que assistem ou participam desse tipo de violência passam a ganhar “pontos” dentro de uma espécie de hierarquia em grupos de ódio, frequentemente hospedados em plataformas como o Discord.

Desde a criação do núcleo especializado, no fim de 2024, 582 pessoas já foram presas ou apreendidas por crimes na internet. Ainda conforme os dados, cerca de 90% dos investigados tiveram envolvimento direto com consumo ou prática de maus-tratos a animais.

Em nota, o Discord afirmou que possui políticas rigorosas que proíbem conteúdos nocivos, incluindo violência contra animais. A empresa destacou que mantém sistemas de moderação e, ao identificar violações, pode encerrar servidores, banir contas e acionar as autoridades, conforme a legislação.

A Polícia Civil também faz um alerta aos pais e responsáveis. A orientação é redobrar a atenção ao comportamento dos filhos, especialmente quanto ao conteúdo consumido nas redes sociais e aos horários de uso. Entre os sinais de alerta estão o isolamento e o acesso a dispositivos eletrônicos durante a madrugada.

 

“Nunca, jamais, permita que seu filho vá dormir com acesso a telas. Esse tipo de crime ocorre justamente na madrugada, quando muitos pais estão dormindo”, reforçou a delegada.

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