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O drama do 'dia 23' em São Manuel: em 3 meses, cidade vai do granizo devastador a 156 mm de chuva
Por Moisés Moura
Publicado em 27/02/2026 12:42 • Atualizado 27/02/2026 14:05
São Manuel

O número 23 deixou de ser apenas uma data no calendário de São Manuel para se tornar sinônimo de alerta máximo. Exatamente três meses após o vendaval devastador de novembro de 2025, a cidade foi novamente castigada por um evento climático extremo nesta segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026. A coincidência matemática das datas impressiona e traz um sentimento de vulnerabilidade à população.

Uma Ferida que Não Pôde Cicatrizar

Se no dia 23 de novembro o céu desabou em forma de gelo e ventos furiosos, destruindo telhados, escolas e o patrimônio de centenas de famílias, este novo dia 23 escolheu a água como protagonista. Em menos de 48 horas, o acumulado atingiu a marca crítica de 156 milímetros.

O drama é acentuado pelo fato de que a cidade ainda estava “em obras”. Muitas das estruturas que cederam agora eram justamente aquelas que recebiam reparos dos danos sofridos há 90 dias.

O Contraste dos Desastres

Embora a data seja a mesma, a face da destruição mudou.

23 de Novembro O Gelo: Foco na destruição aérea. Vidros quebrados, veículos amassados pelo granizo e o setor urbano amplamente atingido pela força do vento.

23 de Fevereiro A Água: Foco no isolamento terrestre. O solo saturado não suportou o volume hídrico, resultando na interdição de três pontes e no bloqueio total de estradas rurais.

O Isolamento e a Emergência

A zona rural foi a mais castigada pela repetição do destino. Com pontes condenadas e estradas intransitáveis, famílias reviveram o trauma de ficar sem acesso a serviços básicos. Para os moradores, a sensação é de que o município luta contra o relógio e contra uma estatística improvável.

“Parece que o dia 23 virou um fardo. Estávamos fechando os buracos no telhado do último temporal quando a enxurrada de agora levou o caminho de casa”, desabafou um morador à TV São Manuel Conectado.

Reconstrução sob Nova Emergência

 

Com o novo decreto de emergência, válido por seis meses, a prefeitura busca agora acelerar a captação de recursos. O desafio é hercúleo: gerir um orçamento já sobrecarregado por dois desastres de grande porte em um intervalo de apenas 90 dias. Enquanto as equipes técnicas mapeiam os danos, a cidade olha para o calendário com cautela, esperando que o ciclo de eventos extremos finalmente se encerre.

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