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Sandro Dalio expõe e mãe confirma: O grito contra a exclusão escolar em São Manuel
Por Moisés Moura
Publicado em 23/04/2026 08:50 • Atualizado 23/04/2026 09:06
São Manuel

A fala emocionante de Camila Panini na tribuna da Câmara Municipal de São Manuel, nesta segunda-feira (22), ecoou o desabafo de diversas famílias que enfrentam a exclusão escolar e a discriminação de crianças atípicas. O caso ganhou visibilidade após as denúncias feitas pelo jornalista Sandro Dalio, expondo as barreiras enfrentadas por pais e alunos em escolas particulares.

Abaixo, a transcrição dos principais pontos do discurso de Camila:

O Desabafo de uma Mãe Atípica

"Boa noite a todos. Eu me chamo Camila Panini, sou uma mãe atípica. Meu filho, José, tem 12 anos. Gostaria de destacar que muitas famílias não puderam estar presentes hoje porque toda família atípica precisa de uma rede de apoio, e muitas não têm. Nossa luta é um pouco mais difícil porque não temos com quem deixar nossos filhos.

Agradeço à Vanessa e aos demais vereadores que estão trabalhando nessa causa. É extremamente importante que todos caminhem na mesma direção. Minha fala é como mãe que já vivenciou inúmeras situações discriminatórias, especialmente no ambiente escolar."

Denúncias de Exclusão e Valores Abusivos

"Vou me limitar ao ambiente escolar, pois é sobre isso que trata a indicação da vereadora Vanessa. A discriminação faz parte da minha história. Meu filho começou a ser discriminado em 2017. Ele foi convidado a se retirar de uma escola, foi negado em outra e, este ano, teve uma mensalidade exorbitante cobrada por uma escola particular aqui de São Manuel.

Hoje, isso é uma prática em São Manuel: se a família tem uma criança atípica, as escolas particulares exigem que a própria família contrate um auxiliar para cuidar da criança. No município e no estado, existe uma demanda muito grande, mas sabemos que é difícil.

As famílias passam pela negativa de matrícula e por valores abusivos. Ninguém sabe o sentimento de uma mãe ao sair de uma escola com o filho negado, ou saber que a mensalidade é R$ 900 para uns, mas para o filho dela é R$ 1.590. Isso é muito triste. Isso dói."

Apelo por Legislação e Fiscalização

"Fiz alguns vídeos na rede social após receber denúncias de outras mães. Não importa se a escola é particular, municipal ou estadual: todas devem estar dentro da lei. Existe uma legislação no município de Uberlândia que modificou os rumos escolares por lá ao criar penalidades e sanções para escolas que não atendem à lei. A lei já existe, ela só precisa ser aplicada.

Eu sou gestora de uma escola e, se a minha escola estiver cometendo discriminação, ela também deve ser penalizada. Nós, famílias atípicas, queremos ações. Queremos ver nossas famílias respeitadas para não sofrermos essas mesmas discriminações ano após ano.

Peço encarecidamente que vocês, vereadores, tragam voz para as famílias atípicas. Estamos com uma voz muito pequenininha e cansados de ter que gritar. Gostaria demais que essa indicação se tornasse um projeto de lei que regulamentasse a legislação que já existe em favor das famílias."

Camila Panini encerrou sua fala sob aplausos, reforçando a urgência de políticas públicas que garantam a inclusão efetiva e o fim da cobrança de taxas extras para alunos com deficiência, prática vedada pela Lei Brasileira de Inclusão (LBI).

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