O senador Flávio Bolsonaro divulgou nesta semana uma extensa "Nota Pública" nas redes sociais após deixar o Brasil rumo aos Estados Unidos. No documento, o parlamentar lança acusações sem provas contra o processo eleitoral brasileiro, questiona a legitimidade das instituições democráticas e afirma que atuará na liderança da oposição a partir do exterior.
A manifestação ocorre no momento em que o parlamentar alegou ter saído do país acompanhado de sua família. Na nota, Flávio nega ter "fugido" e diz que se ausentou para "poder ser o líder que o meu povo merece".
Ataques às urnas e ao Judiciário
Na publicação, encabeçada pelo brasão da República, Flávio Bolsonaro volta a acionar narrativas desacreditadas sobre integridade eleitoral, citando suposta "fraude" e "impossibilidade matemática" no pleito disputado com a chapa de Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin. As urnas eletrônicas e a transparência do sistema de votação brasileiro já foram auditadas e validadas repetidas vezes por órgãos nacionais e internacionais independentes.
O senador dirige duras críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), classificando as decisões da Justiça brasileira como "caos jurídico" e "perseguição política".
"Não existe nenhum mandado de prisão contra mim, porque eu não cometi nenhum crime. O que existe é uma caça às bruxas politicamente motivada", alegou o parlamentar.
Agradecimento a líderes estrangeiros e apelo internacional
Em outro trecho da carta, o senador agradece expressamente ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao presidente da Argentina, Javier Milei. Segundo ele, o governo americano teria oferecido abrigo e apoio para a sua permanência no exterior.
Flávio também faz um apelo à comunidade internacional para que "não normalize" os acontecimentos políticos no Brasil e compara sua saída do país a personalidades históricas que viviveram no exílio, como Rui Barbosa e Charles de Gaulle.
Reações e desdobramentos
A publicação do manifesto provocou forte reação no cenário político em Brasília. Integrantes da base governista e juristas classificaram a nota como uma tentativa de desestabilização institucional e desgaste da imagem do país no exterior, enquanto aliados do senador saíram em sua defesa.
Até o momento, o Tribunal Superior Eleitoral e o Supremo Tribunal Federal não se manifestaram oficialmente sobre o teor das declarações do senador.