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Prefeita de Bauru exonera marido após prisão em operação que investiga fraude em licitação do lixo
Renato Purini foi preso nesta sexta-feira (16); investigação apura suposto esquema envolvendo contrato estimado em R$ 5,2 bilhões para serviços de resíduos sólidos
Por Felipe Augusto
Publicado em 16/10/2026 16:15
Região

A prefeita de Bauru (SP), Suéllen Rosim (PSD), exonerou o marido, Renato Purini, do cargo de secretário municipal de Governo após ele ser preso nesta sexta-feira (16), durante uma nova fase da Operação Cavalo de Troia, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público.

O decreto de exoneração foi publicado em uma edição extraordinária do Diário Oficial do município. Purini foi preso no condomínio onde mora com a prefeita e, posteriormente, acompanhado por integrantes do Gaeco durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão na Prefeitura de Bauru.

Após os procedimentos na sede do Executivo, ele foi levado à Central de Polícia Judiciária. A prisão preventiva foi confirmada em audiência de custódia, e o ex-secretário foi encaminhado ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru.

Investigação envolve contrato bilionário

A nova fase da Operação Cavalo de Troia investiga um suposto esquema criminoso relacionado à estruturação e à condução da concessão dos serviços de resíduos sólidos em Bauru.

Segundo o Ministério Público, o contrato investigado é estimado em aproximadamente R$ 5,2 bilhões, com duração prevista de 30 anos. As apurações também buscam esclarecer possíveis acordos envolvendo vereadores.

De acordo com o órgão, a nova etapa da operação foi motivada pelo avanço da análise de provas recolhidas anteriormente, principalmente mensagens extraídas de celulares apreendidos. O material teria revelado indícios de participação de outros agentes públicos e particulares nas práticas investigadas.

Além da prisão, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços de Bauru e da capital paulista.

Prefeitura afirma colaborar com as autoridades

Em nota, a Prefeitura de Bauru informou que colabora com as investigações desde o início, fornecendo documentos, informações e esclarecimentos solicitados pelas autoridades.

O município também afirmou que continuará contribuindo com as apurações e confirmou que Renato Purini foi exonerado do cargo diante das informações divulgadas e das medidas em andamento.

Como a investigação começou

As investigações do Gaeco tiveram início em março, após denúncias de ameaças contra catadores de materiais recicláveis ligados à Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis (Ascam).

Segundo as apurações, Valdomiro Pereira da Silva Filho, marido da então presidente da associação, teria ligação com uma facção criminosa e utilizado sua influência para intimidar trabalhadores.

A associação mantinha contratos com a Prefeitura de Bauru que somavam mais de R$ 5 milhões, firmados com dispensa de licitação, conforme as informações divulgadas sobre o caso.

As investigações continuam para esclarecer os fatos, identificar possíveis envolvidos e apurar eventuais outros delitos. Os indícios investigados não representam, por si só, uma condenação dos suspeitos.

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