O secretário municipal de Governo de Bauru (SP), Renato Purini, marido da prefeita Suéllen Rosim (PSD), foi preso na manhã desta sexta-feira (16) durante uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, com apoio da Polícia Militar.
A ação incluiu mandados de busca e apreensão na residência da prefeita e nas dependências da Prefeitura de Bauru. Após deixar o condomínio onde mora com Suéllen Rosim, Purini foi levado ao prédio do Executivo municipal e, posteriormente, encaminhado à Central de Polícia Judiciária (CPJ).
A operação é um desdobramento da Operação Cavalo de Troia, que investiga um suposto esquema para fraudar a licitação da concessão do sistema de gestão de resíduos sólidos urbanos do município.
Em nota, a Prefeitura de Bauru confirmou a realização da operação nas dependências do Executivo, mas informou que ainda não havia recebido detalhes sobre o objeto da investigação.
Segundo o comunicado, o município permanece à disposição das autoridades para colaborar com as apurações e prestar os esclarecimentos solicitados.

Investigação começou com denúncias de ameaças
As investigações do Gaeco tiveram início em março, após denúncias de ameaças contra catadores de materiais recicláveis ligados à Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis (Ascam).
De acordo com as apurações, Valdomiro Pereira da Silva Filho, marido da então presidente da associação, Gisele Moretti, teria utilizado sua influência para intimidar trabalhadores. A entidade mantinha contratos com a Prefeitura de Bauru que somavam mais de R$ 5 milhões, firmados com dispensa de licitação.
Durante o monitoramento de ligações telefônicas do casal, o Ministério Público identificou indícios de articulações para solicitar propinas e interferir na licitação relacionada à gestão dos resíduos sólidos do município.
As conversas interceptadas também apontaram o possível envolvimento de integrantes da administração municipal e de representantes de empresas.
Contrato investigado é avaliado em R$ 5,2 bilhões
A Operação Cavalo de Troia apura suspeitas de direcionamento da licitação para a concessão do sistema de gestão de resíduos sólidos urbanos de Bauru. O contrato, projetado para durar 30 anos, tem valor estimado em R$ 5,2 bilhões.
Segundo o Ministério Público, o grupo investigado teria atuado para direcionar as regras do edital em benefício da empresa Estre Ambiental, utilizando pessoas com acesso à administração municipal.
A investigação também aponta que a então secretária municipal de Meio Ambiente, Cilene Chabuh Bordezan, mantinha um relacionamento amoroso com Hamilton Libório Agle, CEO da Estre Ambiental. Conforme a apuração, essa relação teria permitido que a empresa participasse da elaboração de documentos e pareceres oficiais dentro da estrutura do governo municipal.
As suspeitas ainda dependem do andamento das investigações e da análise judicial das provas reunidas.
Ex-secretários também foram presos
As operações relacionadas às investigações resultaram na prisão temporária de sete pessoas. Entre os investigados estão ex-integrantes da administração municipal e representantes da iniciativa privada.
Até a última atualização das informações divulgadas, permaneciam presos:
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Cilene Chabuh Bordezan, ex-secretária municipal de Meio Ambiente;
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Vitor João de Freitas Costa, ex-secretário municipal de Negócios Jurídicos;
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Sara Moura de Jesus, ex-secretária-adjunta de Meio Ambiente;
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Hamilton Libório Agle, proprietário e CEO da Estre Ambiental;
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Talita de Andrade Soares Chieregatti, funcionária da Estre Ambiental, que passou a cumprir prisão domiciliar.
Gisele Moretti e Valdomiro Pereira da Silva Filho haviam sido liberados. A investigação também mencionava o ex-consultor da Fipe Mário Luiz, que estava foragido na última atualização da reportagem original.
A funcionária da Estre Ambiental, Talita Andrade, deixou a penitenciária feminina de Sant’Ana em 7 de outubro, após decisão judicial, e passou a cumprir prisão domiciliar. A mudança foi comunicada pela Secretaria da Administração Penitenciária na quinta-feira (15).
O caso segue sob investigação. Até o momento descrito nas informações divulgadas, não havia detalhes oficiais sobre a participação específica de Renato Purini nos fatos investigados.