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Salário de vereador em São Manuel está sem reajuste há quase 15 anos, afirma Paulo Zaparolli
Por Moisés Moura
Publicado em 03/07/2026 11:24
São Manuel

O salário dos vereadores de São Manuel não sofre reajustes significativos há quase 15 anos. A afirmação foi feita pelo vereador Paulo Zaparolli em entrevista recente aos estúdios da Rádio Clube de São Manuel, onde o parlamentar discutiu a defasagem nos vencimentos do legislativo municipal.

Durante o bate-papo conduzido pelos radialistas, foi detalhado que o salário bruto atual de um vereador na cidade gira em torno de R$ 5.500, restando um valor líquido de aproximadamente R$ 4.600 após os descontos em folha.

Defasagem constitucional

De acordo com o vereador, a legislação prevê que o subsídio dos parlamentares municipais deveria ser proporcional a 30% do salário de um deputado estadual. Caso a regra estivesse sendo estritamente aplicada com as devidas correções ao longo dos anos, os vencimentos atuais deveriam se aproximar da casa dos R$ 11.000.

"Faz de 14 para 15 anos que não tem aumento de salário de vereador. O salário era para ser proporcional ao salário de deputado, é de direito. Seria para ser mais ou menos quase R$ 11.000 hoje em São Manuel", explicou Zaparolli.

Entrave político e o "oportunismo"

Questionado sobre o motivo de a correção nunca ter sido levada adiante nas últimas décadas, Paulo Zaparolli relembrou que a decisão inicial partiu dos próprios parlamentares no passado, motivada por um período de dificuldades financeiras enfrentado pelo município.

No entanto, o congelamento estendeu-se devido ao receio político e à falta de consenso entre os parlamentares das legislaturas seguintes. Um dos entrevistadores ponderou que a falta de iniciativa em pautar o reajuste ocorre também para evitar o desgaste público promovido por discursos oportunistas.

"Ficou [sem reajuste] porque lá atrás os vereadores na época... a cidade passava por uma fase difícil também e a gente nunca quisemos reajustar o salário. E de lá para cá, um não quer, outro quer ser prefeito, outro quer ser candidato de novo... e ninguém teve o saco roxo de ir lá e aumentar", desabafou o vereador.

A bancada da rádio concluiu destacando que a falta de consenso e o medo de retaliação política nas urnas — onde opositores costumam usar a votação de reajustes para carimbar negativamente os colegas — imobilizam o debate sobre a remuneração da categoria, mantendo os valores congelados desde 2009.

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