O Ministério Público de São Paulo determinou o encaminhamento ao Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap) para investigar ataques misóginos e discursos de ódio publicados nas redes sociais contra a jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, que morreu após ser lançada sem corda de segurança durante um salto de rope jump, em Limeira (SP).
Após a tragédia, diversas publicações ofensivas direcionadas à vítima passaram a circular nas redes sociais. Diante da repercussão, a bancada feminista do PSOL protocolou uma representação junto ao Ministério Público solicitando a apuração criminal dos responsáveis pelas mensagens.
Na notícia-crime apresentada, as parlamentares pediram que a plataforma X forneça dados cadastrais dos perfis envolvidos nas publicações, além da identificação dos usuários que compartilharam o conteúdo original, com o objetivo de identificar possíveis comentários de caráter misógino e discriminatório.
Em despacho assinado no último dia 23 de junho, a promotora de Justiça Ana Maria Aiello Demadis, da 5ª Promotoria de Justiça Criminal da Capital, reconheceu a gravidade dos fatos e determinou, com urgência, o envio do procedimento ao Decap para que seja anexado a eventual investigação já existente ou, caso não haja, seja instaurado imediatamente um inquérito policial.
O documento destaca que os fatos podem configurar crimes previstos nos artigos 212, 286 e 287 do Código Penal, relacionados, entre outros aspectos, às ofensas dirigidas à memória da vítima.
A promotora ressaltou a necessidade de apuração urgente das condutas dos usuários e também de representantes da plataforma mencionada.

A tragédia
Maria Eduarda morreu após cair de uma altura aproximada de 40 metros durante a prática de rope jump, modalidade de esporte radical realizada com cordas estáticas. Segundo a Polícia Civil, o equipamento de segurança que deveria estar preso ao corpo da jovem foi esquecido no momento do salto.
Imagens divulgadas nas redes sociais mostram o instante em que a vítima é lançada da plataforma e, logo em seguida, pessoas gritam desesperadas alertando sobre a ausência da corda.
De acordo com testemunhas, os responsáveis pelo salto não realizaram a checagem de segurança antes da atividade. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e o Corpo de Bombeiros foram acionados, mas a morte foi constatada ainda no local.
Três homens foram presos em flagrante e autuados por homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de matar. Eles foram identificados como Luis Felipe Feliciano Egoroff, de 32 anos, Vitor de Freitas Gonçalves, de 27 anos, e Maicon Fernandes Cintra, de 42 anos.
Nas redes sociais, a mãe da jovem, Valdenia Maria Rodrigues, lamentou a perda da filha e prestou uma emocionante homenagem, destacando a dor da despedida e o amor eterno pela jovem de 21 anos.