O anexo do Espaço Petrobras de Cinema e o Café Fellini, localizados na Rua Augusta, no Centro de São Paulo, foram alvo de uma reintegração de posse iniciada nesta quinta-feira (14). Oficiais de Justiça chegaram ao local por volta do meio-dia acompanhados de caminhões para retirada de móveis e equipamentos.
Grande parte do espaço foi esvaziada ao longo do dia. Apenas as salas de cinema permaneceram intactas, com projetores, telões e poltronas recém-reformadas ainda no imóvel. O prédio ficará fechado até que uma empresa especializada realize a remoção dos equipamentos.
Os responsáveis pelo espaço afirmaram ter sido surpreendidos pela decisão judicial. Segundo Patrícia Durães, fundadora do cinema que funciona no endereço desde 1995, a equipe ainda tentava recorrer da ordem de despejo.
“A gente estava tentando entrar com um recurso, mas não conseguimos porque eles ainda não tinham publicado essa petição”, afirmou.
A ação de reintegração foi movida pela incorporadora Rec Vila 15 Empreendimentos Imobiliários, que comprou o imóvel em 2022 com o objetivo de construir um prédio residencial no local. Apesar disso, uma liminar obtida em 2024 ainda impede a demolição do espaço.

Em abril do ano passado, o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) reconheceu o cinema de rua como Área de Preservação Cultural, determinando a manutenção da função cultural do endereço, mesmo em caso de mudanças estruturais.
A dona do Café Fellini, Silvia Oliveira, se emocionou ao acompanhar a retirada dos pertences do estabelecimento, que funciona há 32 anos na Rua Augusta.
“Hoje está sendo o pior dia da minha vida. Porque eu sempre acreditei que a gente fosse conseguir ficar”, declarou.
Segundo Silvia, ela havia acabado de abrir o café quando os oficiais chegaram ao local.
“Eu estava abrindo o café, já tinha colocado as mesas no jardim e assado as empanadas e o pão de queijo quando eles chegaram”, contou.
Desde a venda do imóvel, frequentadores e amantes do cinema se mobilizaram contra o fechamento do espaço. Um abaixo-assinado contra a demolição reuniu mais de 50 mil assinaturas.
Em fevereiro de 2023, a Justiça de São Paulo proibiu a demolição e a construção de um novo empreendimento até decisão definitiva sobre o possível tombamento do imóvel. No entanto, autorizou a desocupação, desde que as características arquitetônicas fossem preservadas.
Já em dezembro de 2024, o Conpresp autorizou a demolição do local, mediante acompanhamento periódico das obras. Mesmo assim, a Justiça voltou a suspender a demolição em janeiro do ano passado, entendendo que a empresa responsável deveria garantir a continuidade da função cultural do espaço.