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Moradores desalojados após explosão no Jaguaré vivem rotina de medo, hotéis e incertezas sobre o futuro
Por Felipe Augusto
Publicado em 14/05/2026 10:09
SÃO PAULO

 

Foto: Reprodução/TV Globo

As famílias atingidas pela explosão causada por uma obra da Sabesp no Jaguaré, na Zona Oeste de São Paulo, enfrentam dias de incerteza, trauma e medo de voltar para casa. Entre imóveis interditados, quartos de hotel e reuniões com autoridades, moradores relatam prejuízos, insegurança e falta de respostas sobre quando poderão reconstruir a vida.

A explosão ocorreu na última segunda-feira (11), após uma obra da Sabesp atingir uma tubulação de gás da Comgás na Rua Floresto Bandecchi, na comunidade Nossa Senhora das Virtudes II. O acidente matou Alex Sandro Fernandes Nunes, de 49 anos, deixou três feridos e destruiu diversos imóveis.

A atendente Elizabeth Melo, moradora da região há 42 anos, conta que sua rotina mudou completamente desde o desastre. Hospedada em um hotel em Osasco junto do marido e dos filhos, ela passa os dias entre reuniões, visitas ao local da tragédia e tentativas de entender qual será o destino da família.

“Minha rotina está do hotel para o lugar da tragédia. Da tragédia para o hotel”, desabafou.

Segundo Elizabeth, técnicos já entregaram um laudo apontando perda total da residência onde construiu sua vida. Apesar das alternativas apresentadas pelo governo, como apartamentos da CDHU, ela afirma que deseja permanecer em uma casa.

“Eu quero minha casa. Nasci e cresci aqui”, afirmou.

Na quarta-feira (13), o secretário estadual de Desenvolvimento Urbano e Habitação, Marcelo Branco, informou que a CDHU iniciou o cadastramento das famílias afetadas e que fará a intermediação das indenizações junto às concessionárias.

O governo estadual informou que cerca de 40 imóveis recém-finalizados da CDHU poderão ser utilizados temporariamente pelas famílias desalojadas. Também foram oferecidas opções de locação social e carta de crédito para aquisição de outro imóvel.

O governador Tarcísio de Freitas visitou a comunidade e afirmou que o Estado irá responsabilizar a Sabesp e a Comgás pelo acidente.

Foto: Reprodução/TV Globo

De acordo com o governo, cinco imóveis precisarão ser demolidos, outros 15 passarão por reformas estruturais e cerca de 20 famílias necessitam de atendimento habitacional emergencial.

Entre os moradores afetados está também a analista Caroline Rodrigues, que relata danos severos na casa dos pais, incluindo rachaduras e destruição parcial do telhado. Após insistência da família, o imóvel acabou interditado pela Defesa Civil.

“A casa está desmontada. Pegamos roupa e vamos sair praticamente com a roupa do corpo”, contou.

Além dos danos materiais, moradores relatam forte trauma psicológico. Caroline criticou a demora na resposta ao vazamento de gás antes da explosão.

“Ficamos cinco horas no meio de um vazamento absurdo de gás. Foi assustador”, afirmou.

Segundo a Defesa Civil, 19 imóveis seguem interditados. Ao todo, 232 famílias foram afetadas pela explosão, embora a maior parte já tenha sido autorizada a retornar para casa.

Após o acidente, o governo de São Paulo anunciou a suspensão preventiva de mais de 30 obras da Sabesp para revisão dos protocolos de segurança em intervenções próximas a redes subterrâneas.

 
 
 
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