Moradores relatam aumento de casos em diversos bairros; ausência de políticas públicas e de ONGs locais sobrecarrega voluntários.
A crescente onda de abandono de animais em Areiópolis, no interior de São Paulo, tem mobilizado moradores e acendido um alerta sobre o bem-estar animal e a saúde pública na cidade. Relatos frequentes em redes sociais apontam que bairros como o Residencial Prefeito Tito Costa e áreas próximas à pista de skate da Cohab se tornaram pontos recorrentes de descarte de cães, inclusive filhotes.
Relatos de maus-tratos
Internautas compartilharam flagrantes que ilustram a gravidade da situação. Em um dos casos, uma fêmea de pequeno porte em período de cio foi avistada sendo perseguida por cães maiores em via pública, sem qualquer amparo. Outro relato aponta que um homem teria sido visto desembarcando de um veículo para abandonar um animal debilitado e extremamente magro, que estava dentro de uma sacola.
"A cidade virou um depósito de animais abandonados. O que tem de cães pelas ruas é impressionante", afirmou uma moradora em uma publicação que reuniu dezenas de comentários de apoio e indignação.
Falta de infraestrutura e apoio oficial
A ausência de uma Organização Não Governamental (ONG) formalizada no município agrava o cenário. Atualmente, o socorro aos animais depende exclusivamente de protetores independentes, que utilizam recursos próprios e tempo voluntário para oferecer abrigo, alimentação e cuidados veterinários básicos.
A população também critica a falta de suporte do poder público. Segundo relatos de moradores, tentativas de buscar auxílio junto a representantes do Legislativo e do Executivo não resultaram em soluções práticas. Em um dos episódios citados, um parlamentar teria orientado a busca por instituições externas, sem apresentar alternativas locais ou projetos de assistência.
Saúde Pública
Especialistas reiteram que o abandono de animais não é apenas uma questão de bem-estar animal, mas um problema de saúde pública, uma vez que animais sem assistência podem transmitir zoonoses e causar acidentes de trânsito.
Até o momento, a prefeitura não anunciou projetos específicos de castração em massa ou a criação de um centro de acolhimento para enfrentar o problema. Enquanto as políticas públicas não avançam, os moradores seguem utilizando as redes sociais como ferramenta de denúncia e tentativa de resgate para os animais que vagam pelas ruas da cidade.