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Banqueiro Daniel Vorcaro financiou filme sobre Bolsonaro e recebeu cobranças de Flávio, diz reportagem
Por Moisés Moura
Publicado em 13/05/2026 18:50
BRASÍLIA

O banqueiro Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro trocaram mensagens e áudios sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, produção inspirada no ex-presidente Jair Bolsonaro. As informações foram divulgadas nesta quarta-feira (13) pelo portal Intercept Brasil.

Segundo a reportagem, Vorcaro teria transferido cerca de R$ 61 milhões entre fevereiro e maio de 2025 para a produção do longa-metragem. O dinheiro teria sido enviado para um fundo nos Estados Unidos ligado a um aliado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro.

Em um áudio enviado em setembro do ano passado, Flávio Bolsonaro demonstra preocupação com atrasos nos pagamentos da produção e afirma que o projeto passava por um momento decisivo. Na gravação, o senador diz que havia “muita conta para pagar” e temia prejuízos à imagem do filme caso compromissos não fossem honrados.

“Tá num momento muito decisivo aqui do filme e como tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso”, afirmou Flávio no áudio divulgado pela reportagem.

O senador também citou possíveis impactos negativos envolvendo nomes do cinema internacional, como o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh, ambos ligados à produção.

Ainda de acordo com o Intercept, as conversas entre Flávio e Vorcaro eram frequentes e incluíam mensagens de visualização única e ligações telefônicas. Em outubro, o senador teria afirmado que a equipe estava “no limite” e convidado o banqueiro para um jantar com Jim Caviezel.

Questionado por jornalistas ao deixar o Supremo Tribunal Federal, Flávio Bolsonaro evitou comentar detalhes sobre o caso e declarou apenas que se tratava de “dinheiro privado”.

No dia seguinte a uma das últimas trocas de mensagens, Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no aeroporto de Guarulhos. A prisão ocorreu no âmbito de investigações que apuram suspeitas de fraudes, corrupção de agentes públicos e uso de uma suposta “milícia privada” para intimidar opositores.

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