Na tarde deste sábado (18), um grupo de familiares e amigos de Gabriel Domingues Macedo realizou uma mobilização em um posto de combustíveis de São Manuel, local onde ocorreu a abordagem da Guarda Civil Municipal (GCM) que resultou na prisão do jovem.
O protesto foi marcado por pedidos de liberdade e justiça e surge como resposta à decisão judicial que converteu a prisão em flagrante em preventiva, além de indeferir o pedido de investigação sobre possíveis abusos por parte dos agentes.

Reação à decisão judicial
A manifestação ocorre após a decisão da juíza Cristina Escher, que negou o encaminhamento do caso à Corregedoria da GCM. Segundo a magistrada, as lesões apresentadas por Gabriel seriam decorrentes da “força necessária” para sua contenção durante a abordagem.
A defesa do jovem contesta essa interpretação e informou que já está recorrendo da decisão em instâncias superiores.

Denúncias sobre exame médico
Outro ponto que gerou indignação entre os manifestantes é a suposta irregularidade no exame de corpo de delito. De acordo com relatos:
- Gabriel não teria sido retirado da viatura para avaliação;
- O atendimento médico teria ocorrido dentro do veículo, nas dependências do hospital.
A família busca imagens de câmeras de segurança para comprovar que o procedimento não seguiu os protocolos adequados e que a presença policial teria intimidado o jovem.
Laudo aponta múltiplas lesões
O laudo do Instituto Médico Legal (IML) confirma a presença de diversos ferimentos, incluindo:
- Escoriações em articulações, como cotovelos e joelhos;
- Equimoses espalhadas pelo dorso e braços.
Gabriel afirma que foi agredido por quatro agentes com socos e arremessado ao chão. Durante o ato, os manifestantes classificaram o episódio como violência excessiva, alegando que as lesões não condizem com uma abordagem padrão.
Versão da Prefeitura
A Prefeitura de São Manuel e a Secretaria Municipal de Segurança divulgaram nota oficial sobre o caso, ocorrido na madrugada do dia 12 de abril de 2026.
Segundo o comunicado, a GCM foi acionada para atender uma denúncia de perturbação do sossego em um posto de combustíveis na Avenida José Horácio Mellão.
De acordo com a administração municipal, durante a fiscalização, os agentes solicitaram a apresentação do alvará de funcionamento, momento em que Gabriel teria reagido de forma hostil, com ofensas e questionamentos à autoridade da equipe.
Ainda conforme a nota, após ser orientado a deixar o local, o jovem teria retornado e avançado de maneira agressiva contra os guardas.
Confronto e resistência
A Prefeitura afirma que houve resistência à abordagem, o que teria causado ferimentos também nos agentes:
- Um agente sofreu lesão no dedo anelar da mão esquerda;
- Outro teve lesões na mão direita.
O comunicado acrescenta que, mesmo contido com algemas, Gabriel teria continuado com ameaças e ainda causado danos à viatura oficial.
Enquadramento legal
Segundo a nota, a autoridade policial enquadrou o caso como:
- Dano qualificado
- Resistência
- Desacato
- Ameaça
A Prefeitura também informou que, durante a audiência de custódia, a Justiça decidiu pela conversão da prisão em preventiva, considerando a gravidade dos fatos.
Ainda de acordo com o Executivo, o Judiciário entendeu que as lesões apresentadas pelo jovem decorreram da resistência e da ação necessária dos agentes, motivo pelo qual não houve encaminhamento à Corregedoria.
Posicionamento final
A Guarda Civil Municipal de São Manuel finalizou a nota reafirmando que atua dentro da legalidade e dos procedimentos operacionais, com o objetivo de garantir a ordem pública e a segurança da população.
Próximos passos
A defesa de Gabriel Macedo informou que continuará recorrendo da decisão judicial e buscando a apuração da conduta dos agentes envolvidos.
Enquanto isso, familiares e apoiadores afirmam que novas mobilizações poderão ocorrer em São Manuel até que o caso seja reavaliado e o jovem, segundo eles, tenha sua situação revista pela Justiça.