Imagens de câmera corporal revelaram novos detalhes sobre a morte de Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, baleada por uma policial militar na Zona Leste de São Paulo. O caso ocorreu na última sexta-feira (3) e está sendo investigado pelas autoridades.
O ponto que chama atenção é o tempo de espera por atendimento: após o disparo, o resgate só chegou cerca de 30 minutos depois, por volta das 3h30, conforme registrado nas imagens. Durante esse período, um dos policiais tentou prestar os primeiros socorros à vítima.
As gravações, obtidas com exclusividade pela TV Globo, mostram que Thawanna não encostou no retrovisor da viatura nem iniciou agressão antes de ser baleada. O vídeo também indica que a própria policial desceu do veículo e foi em direção à vítima antes do disparo.
Na ocorrência, estavam os soldados Weden Silva Soares, que dirigia a viatura e utilizava a câmera corporal, e Yasmin Cursino Ferreira, de 21 anos, autora do disparo. Após o tiro, o próprio policial questiona a colega: “Você atirou nela? Por quê?”, ao que ela responde que teria reagido após supostamente levar um tapa.
A versão da família contesta essa alegação. Segundo o companheiro da vítima, a viatura passou em alta velocidade, quase atingindo o casal, e a policial teria descido já de forma agressiva, efetuando o disparo logo em seguida. Testemunhas também relatam que houve discussão e agressões antes do tiro.
Já a Polícia Militar afirma que o casal apresentava sinais de embriaguez e que Thawanna teria partido para cima da equipe, iniciando confronto físico, o que motivou a reação da policial.
O caso é investigado pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), e o Ministério Público de São Paulo instaurou procedimento para apurar a ocorrência. Os policiais envolvidos foram afastados das atividades operacionais, e a arma utilizada foi apreendida.
A morte gerou protestos de moradores da região, que denunciam violência policial e cobram justiça.