A Polícia Militar do Estado de São Paulo (PM-SP) publicou nesta quinta-feira (2) uma portaria que coloca na reserva o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso sob acusação de feminicídio pela morte da esposa, a policial militar Gisele Alves Santana.
O documento, assinado pela Diretoria de Pessoal da corporação, garante ao oficial o direito à aposentadoria com base em critérios proporcionais de idade, com vencimentos integrais. Antes da prisão, em fevereiro de 2026, ele recebia salário bruto de R$ 28,9 mil, segundo o Portal da Transparência do Governo de São Paulo.
Com a aplicação da proporcionalidade, a remuneração na aposentadoria deve ficar em torno de R$ 21 mil mensais, conforme estimativas.
Apesar da aposentadoria, a PM informou que o processo de expulsão do oficial segue em andamento pela Corregedoria. No entanto, conforme fontes ouvidas pela imprensa, mesmo que perca a patente, ele poderá manter o direito ao recebimento da aposentadoria adquirida pelo tempo de serviço.
Prisão e acusações
Geraldo Neto foi preso preventivamente no dia 18 de março, após decisão da Justiça Militar, e responde por feminicídio e fraude processual. Ele está detido no Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte da capital paulista.
A investigação aponta que ele matou a esposa com um tiro na cabeça dentro do apartamento onde viviam, no bairro do Brás, em São Paulo. Inicialmente, o tenente-coronel alegou que a vítima teria cometido suicídio, versão posteriormente descartada.
Provas e contradições
De acordo com a Polícia Civil, dados extraídos do celular de Gisele indicam que o aparelho foi desbloqueado e manuseado minutos após o disparo, além de registros de mensagens apagadas pelo marido.
As conversas recuperadas mostram que o casal discutia separação no dia anterior ao crime, incluindo mensagens em que Gisele afirmava aceitar o divórcio e demonstrava insatisfação com o relacionamento.
Também foram identificadas inconsistências na versão apresentada pelo oficial, como horários divergentes entre o disparo, o acionamento da polícia e o uso do celular da vítima.
Relatos de agressividade
Testemunhas ouvidas pela investigação relataram episódios anteriores de comportamento agressivo por parte do tenente-coronel dentro do ambiente de trabalho. Há denúncias de discussões, contenção física e até situações de possível sufocamento.
Segundo colegas, Gisele mudava de comportamento na presença do marido, demonstrando tensão e retraimento.
Conclusão da investigação
Laudos periciais, reprodução simulada e análises técnicas indicam que o disparo foi efetuado pelo próprio tenente-coronel, descartando a hipótese de suicídio.
Ainda segundo o Ministério Público, após o crime, ele teria alterado a cena para simular que a esposa tirou a própria vida, o que fundamenta a acusação de fraude processual.
O caso segue em andamento na Justiça Militar.