O cinema brasileiro viveu uma noite histórica neste domingo (11). O filme “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho, venceu a categoria de Melhor Filme em Língua Não-Inglesa no Globo de Ouro 2026. Além disso, o protagonista Wagner Moura conquistou o prêmio de Melhor Ator em Filme de Drama, marcando a primeira vez que o Brasil ganhou dois prêmios na mesma edição da premiação.
Ao receber o troféu, Kleber Mendonça Filho fez questão de mandar um recado ao país. “Alô, Brasil”, disse o diretor, que agradeceu ao elenco e destacou a parceria com Wagner Moura. “As melhores coisas acontecem quando você tem um grande ator e um grande amigo”, afirmou.
Em seu discurso, o cineasta também dedicou o prêmio aos novos talentos do audiovisual. “Dedico esse filme aos jovens cineastas. Esse é um momento da história muito importante para fazer filmes, aqui nos Estados Unidos e no Brasil. Vamos continuar fazendo filmes”, declarou.
Wagner Moura no Globo de Ouro — Foto: Etienne Laurent / AFP
Após a cerimônia, em entrevista coletiva à TV Globo, Kleber voltou a ressaltar a importância de contar histórias brasileiras e incentivar novos realizadores. “Estamos muito felizes de ver um filme brasileiro gerando tanta discussão boa sobre a história do Brasil. Eu quero muito ver jovens cineastas brasileiros e brasileiras filmando. Pode usar telefone, pode fazer seu próprio projeto. A gente falando da nossa casa, todo mundo ouve ao redor do mundo”, disse.
Na disputa pela categoria de Melhor Filme em Língua Não-Inglesa, “O Agente Secreto” concorreu com “Valor Sentimental”, “Foi Apenas um Acidente”, “A Única Saída”, “Sirat” e “A Voz de Hind Rajab”. A vitória também marcou um feito importante: foi a primeira conquista do Brasil na categoria em 27 anos, desde o prêmio de “Central do Brasil”.
A apresentadora da categoria, a atriz Minnie Driver, anunciou o vencedor com uma palavra em português. Antes de citar o nome do filme em inglês, ela disse “Parabéns”, arrancando aplausos do público.
Ambientado nos anos 1970, “O Agente Secreto” retrata a história de um professor universitário, interpretado por Wagner Moura, que retorna ao Recife para reencontrar o filho caçula, mesmo correndo riscos em meio ao período da ditadura militar brasileira. O longa tem sido elogiado pela crítica por abordar a relação do país com sua história recente e por provocar debates dentro e fora do Brasil.