Moradores de Bauru e Rancharia, no interior de São Paulo, enfrentam dificuldades para retirar mais de 100 medicamentos nas Farmácias de Medicamentos Especializados, unidades responsáveis pela distribuição de remédios fornecidos pelos governos estadual e federal.
Em Bauru, um levantamento realizado pela TV TEM nesta segunda-feira (8) apontou que 97 medicamentos estavam em falta na unidade instalada dentro do Hospital Estadual, conforme a última atualização da Famesp. Entre os itens ausentes estão remédios usados no tratamento de câncer, diabetes, Alzheimer, Parkinson, epilepsia, hipertensão, psoríase, glaucoma, doenças inflamatórias intestinais, além de antipsicóticos, anticonvulsionantes, morfina e até protetor solar para doenças crônicas.
Pacientes relatam impactos diretos. Valéria Tempesta, moradora de Bauru, afirmou que depende do fornecimento de um hormônio de crescimento para o filho de 12 anos. “São injeções diárias que a gente tem que aplicar nele. Infelizmente, é o Estado inteiro que está em falta com a medicação”, disse.
A aposentada Jemima Brito de Oliveira, que passou por cateterismo e angioplastia, também não conseguiu retirar remédios de uso contínuo. “Ele evita coágulo nas artérias, evita AVC e infarto. Não posso ficar sem”, relatou. Segundo ela, medicamentos para diabetes e função renal também estão indisponíveis.
No Oeste Paulista, a situação é semelhante. Em Rancharia, a prefeitura informou que 68 medicamentos estavam em falta no dia 24 de novembro. Apesar de uma promessa de reposição até o dia 28, o abastecimento não ocorreu, e nesta segunda-feira (8) o município permanece sem previsão de normalização.
Posicionamento dos órgãos responsáveis
Sobre Bauru, a Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP) informou, em nota, que a Farmácia de Medicamentos Especializados está sendo abastecida e que a regularização total dos itens está prevista para quarta-feira (10).
Em relação a Rancharia, a SES-SP afirmou que os medicamentos destinados à região estão em processo de distribuição e devem chegar à Farmácia de Presidente Prudente até o fim da próxima semana.
O Ministério da Saúde declarou que parte dos itens em falta é de responsabilidade federal, alguns já com envio regular, outros dentro do prazo contratual, enquanto uma parcela depende de regularização dos fornecedores.