Uma sucuri de aproximadamente quatro metros foi salva por dois pescadores após ficar presa em uma rede de pesca abandonada no Rio Tietê, em Cafelândia (SP). O resgate, realizado no domingo (9), foi registrado em vídeo e chamou a atenção pela dificuldade da operação e pelo risco envolvido.
Em entrevista ao g1, o pescador Fábio De Nigris contou que levou um susto ao encontrar a cobra durante uma pescaria esportiva. Segundo ele, o animal estava bastante debilitado e enroscado na rede.
“Não sabia o nível de voracidade dela, se ia atacar a gente por estar nervosa e há muito tempo ali. Pelo estado magro e enfraquecido, parecia que estava presa há vários dias”, relatou.
Resgate desafiador no brejo
Fábio e um amigo tentaram agir com cautela e, mesmo com medo de um possível ataque, decidiram salvar o animal. Sem conseguir descer no córrego devido ao terreno lamacento — com cerca de dois palmos de água e mais de um metro de brejo — o pescador utilizou uma tesoura para cortar a rede enquanto se equilibrava sobre o caiaque.
“Se a gente descesse, não teria como se locomover. Mesmo fraca, ela se debatia e chegou a empurrar as embarcações. Em certo momento deu a impressão de que entendeu que estava sendo salva”, contou.
Após cerca de uma hora e meia de trabalho, a sucuri finalmente conseguiu se libertar e rastejou lentamente até a margem do rio.
“Isso foi um ato de amor, não de coragem. Se a gente não passasse por lá, talvez ela estivesse presa até agora”, disse o pescador.
Sucuri: forte, não venenosa e essencial à natureza
A bióloga Samantha Pereira Lima, diretora do Zoológico de Bauru, explica que a sucuri não é peçonhenta, mas mata suas presas por constrição — apertando até asfixiar.
“A sucuri é extremamente forte e importante para o equilíbrio do ecossistema, ajudando no controle de roedores e outros animais”, afirma.
Segundo a especialista, a presença da espécie no Tietê é um bom sinal ambiental: “Ela só vive em locais com condições adequadas, sendo um bioindicador de ambiente equilibrado.”
⚠️ Mordida pode causar ferimentos graves
O biólogo e especialista em serpentes Henrique Abrahão Charles explica que, apesar de não ter veneno, a sucuri possui dentes finos, curvados para trás e semelhantes a anzóis, capazes de causar ferimentos profundos e infecções.
“Se a vítima tenta puxar depois da mordida, pode rasgar a pele e atingir até o músculo”, alerta.
Orientação dos especialistas
Os especialistas reforçam que o contato com animais silvestres deve ser mínimo e sempre à distância. Em casos como o do resgate no Tietê, o ideal é acionar a Polícia Militar Ambiental ou o Corpo de Bombeiros.
“No vídeo, dá para ver que o pescador tinha habilidade e conhecimento sobre a espécie. Mas o recomendado é sempre chamar as autoridades”, destaca Samantha.
A ação dos pescadores, apesar dos riscos, garantiu que a sucuri pudesse voltar ao seu habitat e seguir seu papel fundamental no equilíbrio da natureza.