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Câmara de Anhembi cassa mandato do prefeito Jairo de Góis após investigação sobre serviço mecânico de quase R$ 59 mil
Decisão foi aprovada por seis votos a três em sessão extraordinária. Vice-prefeito Tom Macedo assumiu o comando da prefeitura nesta sexta-feira (6).
Por Felipe Augusto
Publicado em 06/11/2026 19:15
Região

A Câmara Municipal de Anhembi (SP) cassou, por seis votos a três, o mandato do prefeito Jairo de Góis (Republicanos), durante uma sessão extraordinária realizada nesta sexta-feira (6). A reunião durou aproximadamente oito horas. Com a decisão, o vice-prefeito Everton Daura Macedo, conhecido como Tom Macedo, também do Republicanos, assumiu a chefia do Executivo municipal.

A cassação é resultado de uma Comissão Processante instaurada para investigar possíveis irregularidades na contratação de serviços de manutenção mecânica de um veículo da frota municipal, cujo valor chegou a R$ 58.950. A apuração também envolveu a falta de respostas da Prefeitura a solicitações de fiscalização feitas pelos vereadores.

A votação ocorreu após a Justiça revogar uma liminar que havia suspendido os trabalhos da comissão em julho. Em decisão, o juiz Lucas Gomes Henriques de Araújo, da 1ª Vara da Comarca de Conchas, considerou válidos os atos da Comissão Processante e estabeleceu prazo de cinco dias para que os vereadores julgassem o caso.

Investigação apontou divergências em serviço mecânico

A denúncia foi apresentada por uma moradora em abril de 2026. Segundo a acusação, a Prefeitura empenhou R$ 58.950 para uma suposta retífica completa do motor de um ônibus do Departamento de Educação.

Entretanto, documentos analisados durante a investigação apontaram inicialmente divergências na identificação do veículo, com referência à placa de uma ambulância que estaria com o motor fundido.

Um laudo pericial oficial também identificou que o motor do ônibus não teria recebido o serviço completo que foi contratado e pago. Conforme a perícia, foram encontrados apenas reparos pontuais em algumas peças, enquanto pistões e bloco do motor apresentavam características originais de fábrica.

A comissão também apontou possíveis falhas na sequência dos procedimentos administrativos. Segundo a auditoria, documentos relacionados à contratação, ao empenho e ao parecer jurídico foram produzidos em maio de 2025, antes da realização das cotações de preços.

O que disse o prefeito antes da votação

Na noite de quinta-feira (5), antes do julgamento, Jairo de Góis afirmou estar tranquilo e defendeu os resultados de sua administração.

O então prefeito citou melhorias no Departamento de Saúde, aquisição de veículos com recursos próprios e pagamento de dívidas deixadas pela gestão anterior. Também afirmou que caberia aos vereadores analisar os trabalhos realizados pela administração municipal.

A reportagem informou que procurou a defesa de Jairo de Góis, mas não obteve retorno até a última atualização da publicação original.

A decisão da Câmara encerra o mandato de Jairo de Góis, que deixa o cargo após a conclusão do processo político-administrativo.

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