Um médico psiquiatra foi condenado a 10 anos, 10 meses e 20 dias de prisão, inicialmente em regime fechado, por atropelar dois ciclistas na Rodovia Leonor Mendes de Barros (SP-333), em Guarantã, no interior de São Paulo. O acidente aconteceu em 29 de junho de 2024.
Um dos ciclistas, Elissandro Hipocreme, de 44 anos, morreu no local. A outra vítima sofreu ferimentos graves e ficou com limitações permanentes.
A sentença foi proferida em 27 de outubro pela Justiça de Cafelândia. A condenação foi divulgada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) nesta quarta-feira (4). O médico poderá recorrer em liberdade.
Além da pena de prisão, a Justiça determinou a suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) por três anos e seis meses. Também foram fixadas indenizações mínimas de R$ 100 mil aos familiares de Elissandro e R$ 50 mil ao ciclista sobrevivente.
O médico foi condenado por homicídio culposo e lesão corporal grave na direção de veículo sob influência de substâncias psicoativas, com aumento da pena pela omissão de socorro.
Motorista dirigia sob efeito de medicamentos
Segundo a denúncia do Ministério Público, o médico dirigia sob efeito combinado de medicamentos psiquiátricos, estava atrasado para o trabalho e trafegava acima do limite de velocidade. Ele havia sido multado por um radar poucos minutos antes do acidente.
Laudos do Instituto Médico Legal (IML) e relatos de policiais e socorristas apontaram sonolência intensa e falta de coordenação motora. Após o atropelamento, o motorista chegou a adormecer dentro da ambulância e também na viatura policial.
Elissandro morreu no local. O outro ciclista sofreu fraturas na coluna e no pé, precisou passar por cirurgia e ficou com sequelas permanentes.
As provas apresentadas no processo também indicaram que os dois ciclistas pedalavam em fila única, pelo acostamento e utilizavam equipamentos de segurança. A Promotoria contestou as alegações da defesa de que o motorista teria sido ofuscado pelo sol e de que as vítimas teriam invadido a pista.
Médico estava com CNH vencida
A sentença também considerou o histórico do motorista. Segundo o Ministério Público, ele estava com a CNH vencida desde março de 2023, tinha o licenciamento do veículo atrasado e havia sofrido seis suspensões anteriores do direito de dirigir.
A pedido da Promotoria, a Justiça determinou ainda a abertura de um inquérito para apurar uma possível prática de falso testemunho por um médico que prestou depoimento em favor da defesa.