Fabiana Rossi, de 47 anos, enfrentou um câncer de mama no Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE), em São Paulo, onde trabalha há 28 anos. Chefe do Serviço de Gestão de Risco e Qualidade da instituição, ela recebeu o diagnóstico no início de 2025 e passou de profissional de saúde a paciente do hospital onde construiu a carreira.
Durante o tratamento, Fabiana foi acompanhada por colegas que conhece há décadas. Entre eles estava a enfermeira Daniela Lopes, de 41 anos, que trabalha no HSPE desde 2011 e havia sido capacitada por Fabiana em 2015, quando assumiu a função de encarregada do setor de quimioterapia.
Segundo Fabiana, receber o tratamento em um ambiente conhecido trouxe mais segurança durante o período de incertezas.
“Tratar uma doença cujo diagnóstico já assusta é complicado. Porém, fazer isso em um hospital conhecido, com pessoas com quem você já trabalha há muitos anos, traz mais segurança durante todo o processo, porque você sabe da competência dos profissionais”, afirmou.
Daniela contou que acompanhar a colega durante a quimioterapia foi uma experiência difícil, principalmente pela relação profissional construída entre as duas.
“Foi muito difícil ver uma colega de trabalho na poltrona da quimioterapia, principalmente aquela que me acolheu e me auxiliou na capacitação quando eu assumi o cargo de encarregada da quimioterapia, em 2015”, relatou.
A enfermeira também destacou o comprometimento de Fabiana com o tratamento, incluindo os cuidados com a alimentação e a preocupação em manter a mente ocupada durante o processo.
Diagnóstico e tratamento
A doença foi identificada durante exames anuais solicitados pelo setor de Segurança do Trabalho do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe). Fabiana realizou mamografia e ultrassom das mamas. Uma alteração encontrada no ultrassom levou à realização de uma biópsia, que confirmou a presença de um tumor hormonal.
O tratamento foi acompanhado pelo diretor do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Iamspe, Marcelo Antonini. Como havia histórico familiar de câncer de mama, Fabiana também passou por um mapeamento genético, que identificou uma mutação associada ao aumento do risco de câncer de mama e de ovário.
A enfermeira concluiu a quimioterapia em julho de 2025. No mês seguinte, passou por uma mastectomia total da mama esquerda e por uma cirurgia preventiva na mama direita, além da reconstrução mamária. Os procedimentos foram realizados pela equipe de Cirurgia Plástica do Iamspe e duraram mais de 12 horas.
Em outubro de 2025, Fabiana iniciou a terapia de bloqueio hormonal, prevista para durar dez anos. No início de novembro, passou pela retirada preventiva dos ovários e das trompas. No fim daquele mês, começou a radioterapia.
Remissão e acompanhamento
Atualmente, Fabiana está em remissão total do câncer de mama e realiza acompanhamento anual.
Ao relembrar a trajetória, ela destacou o apoio recebido dos profissionais que estiveram ao seu lado durante o tratamento, especialmente nos momentos de medo e insegurança.
“A enfermeira Daniela, o dr. Marcelo e tantos outros colegas de trabalho foram essenciais nessa jornada, pois cuidaram de mim e me acolheram em momentos de insegurança e medo, além de me apoiarem quando surgiam dúvidas”, afirmou.
A história de Fabiana reforça a importância do diagnóstico precoce, do acompanhamento médico e do acolhimento durante o tratamento do câncer de mama.