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Quem é Renato Purini, ex-secretário e marido da prefeita de Bauru preso na Operação Cavalo de Troia
Ex-vereador e ex-presidente do DAE, ele foi preso em investigação sobre suspeitas de fraude na concessão dos serviços de resíduos sólidos, estimada em R$ 5,2 bilhões.
Por Felipe Augusto
Publicado em 18/10/2026 12:23
Região

Renato Purini, ex-secretário municipal de Governo de Bauru (SP) e marido da prefeita Suéllen Rosim (PSD), foi preso na sexta-feira (16) durante uma nova fase da Operação Cavalo de Troia, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, com apoio da Polícia Militar.

A investigação apura um suposto esquema de fraude na licitação para a concessão dos serviços de gestão de resíduos sólidos do município. O contrato investigado é estimado em aproximadamente R$ 5,2 bilhões, com duração prevista de 30 anos.

Segundo informações do processo que embasou o pedido de prisão, os investigadores apontam que Purini teria atuado como uma figura política importante para viabilizar os interesses do grupo investigado. As suspeitas ainda são objeto de apuração.

Após a operação, a Prefeitura de Bauru informou que Renato Purini foi exonerado do cargo de secretário municipal de Governo. Ele passou por audiência de custódia na sexta-feira, quando a prisão preventiva foi mantida. No sábado (17), a Justiça negou o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa.

Trajetória política

Purini iniciou sua carreira política em 2001, quando foi eleito vereador em Bauru. Durante sua passagem pela Câmara Municipal, ocupou a presidência e a vice-presidência da Casa.

Em 2005, assumiu o comando da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb). Posteriormente, retornou ao Legislativo em 2009, onde cumpriu dois mandatos consecutivos até 2016.

Em 2020, voltou a disputar uma vaga de vereador, mas não foi eleito.

Em julho de 2025, assumiu a Secretaria Municipal de Governo, criada durante a reorganização administrativa da Prefeitura de Bauru. Antes disso, havia presidido o Departamento de Água e Esgoto (DAE).

Condenação anterior

A trajetória de Purini também inclui um processo por improbidade administrativa relacionado ao período em que exerceu seu primeiro mandato como vereador, entre 2003 e 2004.

A ação investigou a contratação irregular de uma assessora e resultou em condenação definitiva, com trânsito em julgado, além da aplicação de multa.

O valor, de aproximadamente R$ 1 milhão, foi pago em outubro de 2024, permitindo que ele retornasse à presidência do DAE no mês seguinte.

Em 2024, sua gestão à frente da autarquia também foi marcada por disputas judiciais relacionadas ao caso de improbidade e à comprovação de escolaridade.

Casamento com a prefeita

Renato Purini e Suéllen Rosim anunciaram o noivado em fevereiro de 2025 e se casaram em maio do mesmo ano. Na ocasião da prisão, a prefeita estava na reta final da gravidez do primeiro filho do casal.

Suéllen Rosim não é alvo desta fase da operação, segundo as informações divulgadas sobre a investigação.

Horas após a prisão do marido, a prefeita prestou depoimento à Comissão Processante da Câmara Municipal, que apura possível negligência de sua parte na condução da licitação dos serviços de gestão do lixo.

Durante o depoimento, ela afirmou que Purini não participava das decisões sobre o edital, negou ter recebido vantagens indevidas e disse desconhecer encontros entre o marido e um executivo da empresa Estre Ambiental, apontada nas investigações como possível beneficiária de um direcionamento da licitação.

O que investiga a Operação Cavalo de Troia

A operação investiga suspeitas de organização criminosa e direcionamento da licitação para a concessão dos serviços de resíduos sólidos de Bauru.

De acordo com o Ministério Público, a apuração avançou após a análise de mensagens extraídas de celulares apreendidos durante a primeira fase da operação. O material teria revelado indícios de participação de agentes públicos e representantes de empresas.

As investigações começaram em março, após denúncias de ameaças contra catadores de materiais recicláveis ligados à Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis (Ascam).

A partir do monitoramento de conversas telefônicas, os investigadores identificaram suspeitas de pedidos de propina e de interferência no processo de concessão dos serviços de lixo.

A investigação também envolve outros ex-integrantes da administração municipal e pessoas ligadas à empresa Estre Ambiental.

O Ministério Público informou que as apurações continuam para esclarecer os fatos e identificar possíveis outros envolvidos.

Posicionamento da Prefeitura: em nota, a administração municipal afirmou que colabora com as autoridades desde o início das investigações e que continuará fornecendo documentos e informações solicitados. Também confirmou a exoneração de Renato Purini do cargo de secretário municipal de Governo.

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