Documentos e registros de áudio obtidos e analisados no âmbito de uma investigação da Polícia Civil de São Manuel indicam a movimentação de recursos financeiros por meio de contas de terceiros, saques em espécie e celebração de contratos de prestação de serviços eleitorais. O caso envolve o vereador conhecido como Serginho (Sérgio Santos) e Davi Pires, ex-prefeito de Pratânia e atual vereador no município.
Em um dos trechos de áudios anexados ao material apurado, uma voz atribuída à filha do vereador Serginho comemora os valores recebidos pelo trabalho na campanha:
"Tanto é que eu trabalhei o quê... tipo assim, trabalhei essa semana e já ganhei R$ 2 mil, tipo assim, onde que eu vou pegar um dinheiro tão fácil assim, sabe?"

Dados oficiais do DivulgaCand mostram repasses a familiares e pessoas ligadas
Além dos depoimentos e mensagens, informações do sistema oficial DivulgaCand (Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais do TSE) revelam pagamentos registrados em 09/09/2026 referentes a serviços de campanha prestados por familiares e pessoas ligadas aos envolvidos:
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Bruna Vitoria dos Santos (filha do vereador Serginho): R$ 5.000,00 registrado como "Prestação de serviço de coordenador de campanha".
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Flavio Junio Barbosa dos Santos: R$ 6.000,00 registrado como "Prestação de serviço de coordenador regional".
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Dourival Pires Batista Filho: R$ 5.000,00 registrado como "Prestação de serviço de coordenador de campanha".
Somados, os registros oficiais de despesas com pessoal para esses prestadores totalizam R$ 16.000,00.

Conta de terceiro e repasses declarados à polícia
Em depoimento prestado em 9 de outubro de 2026 ao delegado Carlos Antonio I. Julião Filho, um tratorista de 25 anos (genro de Serginho) afirmou ter emprestado sua conta no Banco do Brasil a pedido do sogro.
De acordo com o relato e extratos bancários, a conta recebeu R$ 10 mil via Pix em setembro de 2026 oriundos de contas identificadas como "ELEICAO 2026" e "B V". Posteriormente, foram efetuados saques presenciais em espécie (em valores como R$ 3 mil, R$ 2 mil e R$ 1.970). O depoente declarou que o dinheiro sacado foi entregue a Davi Pires e a Bruna.
Mensagens e contratos eleitorais
Trocas de mensagens pelo WhatsApp datadas de meados de setembro mostram interlocutores discutindo a formalização de contratos de prestação de serviços e a preocupação com a declaração dos valores à Justiça Eleitoral. Em uma das conversas, questionou-se se haveria problemas em formalizar a contratação devido à necessidade de declarar os recursos.
O depoente também declarou à Polícia Civil que nomes de pessoas públicas figuravam em contratos de trabalho ligados à eleição sem que ele próprio tivesse visto ou assinado os documentos.
Relato de agressão e andamento das investigações
O caso envolve ainda o registro de um boletim de ocorrência no qual o tratorista relata ter sido atingido por um veículo enquanto pilotava sua motocicleta e sofrido ameaças por parte do parlamentar municipal.
A Polícia Civil de São Manuel prossegue com as diligências para apurar a origem, a destinação e a legalidade das movimentações financeiras e dos contratos. A existência dos documentos e depoimentos integra o processo de apuração e não representa, por si só, condenação ou comprovação definitiva de irregularidades.
Posição da Câmara e Outro Lado
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Câmara Municipal: O presidente da Casa, Jaco Ferreira, afirmou ter sido pego de surpresa e declarou desconhecer os fatos até o momento, ressaltando que tomará as providências institucionais cabíveis caso a Câmara seja formalmente acionada.
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Os citados: A reportagem manteve tentativas de contato com os vereadores Serginho e Davi Pires, bem como com os demais citados nos registros, para que apresentem seus esclarecimentos. O espaço segue aberto para manifestações.