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Período eleitoral: Serginho e Davi Pires são citados em suspeita de uso de conta-laranja em São Manuel
Extratos bancários, mensagens e depoimento à Polícia Civil mencionam transferências de R$ 10 mil, saques em dinheiro e contratos ligados ao período eleitoral.
Por Moisés Moura (MTB 01022885/SP)
Publicado em 14/10/2026 15:07 • Atualizado 14/10/2026 15:17
São Manuel

SÃO MANUEL (SP) — Documentos obtidos com exclusividade pelo Portal São Manuel Conectado indicam a movimentação de R$ 10 mil por meio de uma conta bancária de terceiro, seguida de saques em dinheiro, além de conversas sobre a elaboração de contratos de prestação de serviços eleitorais. O material integra uma investigação da Polícia Civil de São Manuel.

Entre os documentos estão extratos bancários, mensagens trocadas pelo WhatsApp e um termo de declarações prestado em 9 de outubro de 2026 na Delegacia de Polícia do município. Os registros mencionam o vereador conhecido como Serginho e Davi Pires, ex-prefeito de Pratânia e atual vereador em São Manuel.

O conteúdo reúne relatos de testemunha e registros de movimentações financeiras. A existência dos documentos, por si só, não comprova a prática de irregularidades eleitorais nem a responsabilidade dos citados.

Conta de terceiro recebeu transferências

Em depoimento ao delegado Carlos Antonio I. Julião Filho, um tratorista de 25 anos, cuja identidade foi preservada pela reportagem, afirmou ter emprestado sua conta-corrente no Banco do Brasil a pedido do sogro, identificado no relato pelo apelido de Serginho, vereador em São Manuel.

Segundo a declaração, a conta recebeu transferências via Pix que somaram R$ 10 mil, nos dias 18 e 28 de setembro de 2026. Extratos obtidos pela reportagem registram créditos originados de contas identificadas como “ELEICAO 2026” e “B V”.

Após as transferências, foram realizados saques em dinheiro na agência do Banco do Brasil em São Manuel. Os valores identificados nos documentos apresentados à reportagem são de R$ 3 mil, R$ 2 mil e R$ 1.970.

No depoimento, o tratorista afirmou que o dinheiro retirado foi entregue pessoalmente a Davi Pires e a Bruna, filha do vereador mencionado no relato.

A documentação analisada pela reportagem registra as movimentações financeiras e a declaração da testemunha. A finalidade dos recursos e as circunstâncias dos repasses dependem de esclarecimento no curso da investigação.

 

Mensagens tratam de contratos eleitorais

Conversas de WhatsApp trocadas em setembro também abordam a elaboração de contratos de prestação de serviços relacionados à campanha eleitoral.

Em uma mensagem de 15 de setembro, uma interlocutora identificada como Bruna questiona se seria possível formalizar um contrato ou se isso poderia gerar problemas em razão da necessidade de declarar os valores. Em resposta, o outro interlocutor afirma que, em sua avaliação, não haveria problema.

Em outro diálogo, de 17 de setembro, a interlocutora menciona um aumento no número de contratos, de quatro para dez, e faz referência às pessoas que seriam contratadas para trabalhar.

Os trechos indicam preocupação com a formalização dos serviços e a declaração dos recursos. Isoladamente, porém, as mensagens não permitem concluir que houve omissão de informações à Justiça Eleitoral ou qualquer outra infração.

Áudios atribuídos a pessoas envolvidas também mencionam pagamentos pelo trabalho realizado. Em um dos trechos apresentados à reportagem, uma voz afirma ter recebido R$ 2 mil após uma semana de trabalho.

A identificação dos responsáveis pelas falas, a natureza dos pagamentos e a eventual relação entre os contratos e as transferências bancárias precisam ser esclarecidas pelas autoridades.

Relato de agressão e ameaça

O episódio também aparece relacionado a um boletim de ocorrência registrado após um desentendimento. Segundo o relato do tratorista à polícia, na noite de 3 de outubro ele teria sido atingido por um veículo enquanto trafegava de motocicleta. A testemunha também afirmou ter sido ameaçada pelo parlamentar municipal.

As circunstâncias relatadas no boletim de ocorrência não equivalem, por si só, à comprovação de agressão ou ameaça. A apuração desses fatos depende da análise das provas e das diligências policiais.

No mesmo contexto, o depoente declarou que nomes de pessoas públicas apareciam em contratos de trabalho relacionados à eleição sem que ele tivesse assinado ou visto os documentos.

Investigação segue em andamento

Os extratos, as mensagens e os áudios foram apresentados à Polícia Civil e, segundo as informações obtidas pela reportagem, integram o material reunido na investigação conduzida pela Delegacia de Polícia de São Manuel.

A apuração deverá esclarecer a origem e a destinação dos recursos, a finalidade dos saques, a relação entre as movimentações bancárias e os contratos mencionados e a eventual existência de irregularidades eleitorais.

O material disponível até o momento não permite afirmar que os citados cometeram crimes. A responsabilização depende da apuração dos fatos e, quando cabível, de decisão das autoridades competentes.

Outro lado

O Portal São Manuel Conectado tentou contato com os vereadores Serginho e Davi Pires para solicitar esclarecimentos sobre as transferências, os saques, os contratos mencionados nas mensagens e as declarações registradas no depoimento.

Até a publicação desta reportagem, a equipe não havia conseguido contato com os parlamentares.

O espaço permanece aberto para manifestações dos citados. Caso sejam recebidas, as respostas poderão ser incorporadas à reportagem.

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