Militante feminista foi presa em 1972 e levada ao DOI-Codi de São Paulo, onde seus dois filhos presenciaram as sessões de tortura; velório será realizado na Unifesp.
A escritora, militante feminista e ativista dos direitos humanos Maria Amélia de Almeida Teles, conhecida como Amelinha Teles, morreu aos 81 anos. A informação sobre o falecimento de uma das figuras de maior destaque na denúncia dos crimes da ditadura militar brasileira (1964-1985) foi confirmada por amigos e familiares nas redes sociais nesta terça-feira (15).
O velório da ativista será realizado nesta quarta-feira (16), das 11h às 16h, na Reitoria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), localizada na Rua Sena Madureira, 1500, na Vila Clementino, Zona Sul da capital paulista. De acordo com a União de Mulheres de São Paulo, instituição da qual Amelinha era diretora, o sepultamento ocorrerá no Cemitério da Vila Formosa após o encerramento do velório.
Luta contra o regime e atuação em defesa dos direitos humanos
Nascida em Contagem (MG), Amelinha Teles atuou no Partido Comunista do Brasil (PCdoB) na oposição clandestina ao regime militar. Em 1972, foi presa em São Paulo e levada às dependências do DOI-Codi, centro de repressão chefiado pelo então major do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra.
Durante o período em que permaneceu sob custódia do Estado, foi submetida a torturas físicas e psicológicas. Seus filhos, Janaína e Edson, que tinham 4 e 5 anos na época, também foram sequestrados pelos agentes e forçados a presenciar as violências praticadas contra a mãe e o pai, o também militante César Augusto Teles. No local, Amelinha presenciou a morte do companheiro de militância Carlos Nicolau Danielli, assassinado sob tortura.
Com a reabertura democrática, Amelinha dedicou a vida ao combate à impunidade dos crimes de Estado, integrando a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos e tornando-se uma das autoras da ação judicial que resultou no reconhecimento de Ustra como torturador pela Justiça de São Paulo.
Como escritora e pensadora do movimento feminista no país, publicou obras de referência sobre a participação das mulheres na política e no combate à repressão, incluindo Contos da Cela Três (memórias registradas em 1973 no presídio), Breve História do Feminismo no Brasil e O Que São os Direitos Humanos das Mulheres?.

Passagem pela região em 2023
Em 2023, Amelinha Teles esteve em Botucatu para participar de um evento sobre memória e direitos humanos. Na ocasião, a ativista concedeu uma entrevista e teve sua trajetória resgatada em um documentário produzido pelo portal São Manuel Conectado, no qual compartilhou relatos sobre sua vida, militância e a resistência durante o período ditatorial.