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EXCLUSIVO: Socorrista de São Manuel denuncia gordofobia e perseguição após perder oportunidade de emprego em concessionária de rodovias
SÃO MANUEL — Um caso grave de suposta discriminação por gordofobia e interferência indevida em processo seletivo tomou conta dos bastidores da base de atendimento operacional SAU 5, vinculada à concessionária Arteris ViaPaulista.
Por Moisés Moura (jornalista 01022885/SP)
Publicado em 01/09/2026 10:37 • Atualizado 01/09/2026 18:03
São Manuel

O socorrista Márcio Antônio Poli, o "Marcinho", procurou a reportagem do Portal São Manuel Conectado para relatar episódios de constrangimento, ofensas sobre seu biotipo e uma repentina reprovação em exames admissionais para a vaga de Operador de Guincho (GL3), intermediada pela agência de empregos Manpower.

Em respeito às diretrizes jornalísticas e éticas, a reportagem conversou diretamente com Márcio, que autorizou expressamente a divulgação de seu nome e confirmou ter registrado Boletim de Ocorrência sobre o fato. A reportagem optou por preservar a identidade dos demais funcionários, supervisores e terceiros envolvidos, identificando-os apenas por suas iniciais.

A oportunidade e a interferência interna

Márcio, que já atua como socorrista no local, conta que recebeu o convite para a promoção profissional por indicação direta da liderança imediata:

"Tive uma oportunidade de emprego na vaga de operador 2 pela Manpower no GL3, indicação do R. [supervisor], onde o mesmo me ligou oferecendo essa vaga. Porém, dando certo a contratação, eu teria que pedir a conta na [empresa atual] onde estou atualmente."

No entanto, o processo tomou outro rumo durante a fase de exames admissionais, quando comentários depreciativos teriam sido feitos por um colega de trabalho na base operacional. Segundo o relato, o funcionário E.G. manifestou forte oposição à contratação de Márcio.

Testemunhas que estavam no local, incluindo a funcionária É.A., presenciaram o momento em que E.G. dirigiu-se à supervisora A., que substituía o responsável direto durante o período de férias, fazendo ofensas diretas ao peso corporal de Márcio:

"O funcionário E.G. [...] não se conformou pela oportunidade que me foi dada. Ficou alterado e falou que iria fazer de tudo para não dar certo essa vaga para mim. [...] A dona É.  presenciou o funcionário E.G. falando para a supervisora A. [...] que eu, Márcio, seria 'muito gordo' para exercer essa função. Sendo que eu estava praticamente contratado."

Inaptidão contestada e contraprova médica

Pouco tempo após o episódio relatado na base, Márcio recebeu um comunicado da agência terceirizada Manpower informando que ele havia sido considerado "inapto para a função" e que a contratação não prosseguiria.

Surpreso com o laudo do Atestado de Saúde Ocupacional (ASO) emitido pela clínica contratada — que indicou inaptidão —, Márcio buscou uma segunda opinião médica por conta própria, investindo recursos particulares para contestar o resultado:

"Levei meus exames a um médico particular, onde paguei a quantia de R$ 300 para ver o que estava acontecendo. Porém, o mesmo me relatou que estou apto — até porque renovei minha CNH esse mês, feitos os mesmos exames praticamente."

Documentos obtidos pela reportagem, incluindo o laudo do ASO emitido em 28 de julho de 2026, confirmam a divergência no processo. Em áudio gravado por Márcio, ele detalha que houve reiteração de exames de glicemia e questiona a fundamentação do laudo oficial:

"Esses exames aí foi o exame que a empresa pagou, que seria o admissional. Só que aí pediram, depois dessa conversinha que E.S escutou, pediram para mim fazer no outro dia um outro exame, que é o de glicemia. [...] Refiz, mas você pode ver que na data aí não tá escrito o dia que eu fiz o exame de atestado, tá escrito dia 28. Foi uma rasura no exame aí."

Desabafo, abalo emocional e pedido de justiça

O socorrista relatou o profundo abalo psicológico causado pela situação, destacando a frustração de perder uma oportunidade profissional da qual dependia para sustentar sua família:

"Eu me senti muito... é como se eu fosse humilhado. Eu me senti um 'zero à esquerda'. [...] A gente sabe que a gente tá acima do peso, a gente até sofre com isso também, né? Porque a gente sabe que hoje a obesidade é uma doença, mas a gente... eu acho que eu dou conta do serviço."

"Nesse ponto eu fiquei muito chateado, até abri um B.O. contra ele [E.G.], porque eu não achei justo. Sou pai de três filhos hoje [...] e tinha até feito a carta de demissão, para você ter uma ideia. Porque até a A. [supervisora] falou assim para mim: 'Quarta-feira você começa, tá tudo certo'. E o que deu a entender foi que, depois desse episódio [...] ele falou isso e a Manpower falou que eu não era mais apto."

 

  Nota de posicionamento Arteris ViaPaulista

A Arteris ViaPaulista esclarece que, em relação ao caso relatado, o candidato participou de um processo seletivo para uma vaga temporária, mas não foi selecionado.A concessionária reforça que não compactua com atos discriminatórios, excludentes ou qualquer outra forma de desrespeito. A Arteris conduz suas atividades e negócios com rigor, tendo a integridade como um de seus valores fundamentais, além de promover iniciativas e políticas que integram seu Programa de Diversidade, Equidade e Inclusão.

A companhia também disponibiliza um Canal de Denúncias, acessível por meio de seu site institucional, destinado a colaboradores, clientes e fornecedores.

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