Offline
Perita em ciências forenses e investigadora privada grava vídeo contra perseguição e denúncia de abusos na Arquidiocese de Botucatu levados ao Vaticano
Por Moisés Moura (jornalista 01022885/SP)
Publicado em 29/08/2026 11:31 • Atualizado 29/08/2026 13:01
Região

Letícia Cimó de Oliveira afirma ter sido vítima de agressões psicológicas, morais e patrimoniais por membros do clero; jovem oferece assessoria pericial gratuita para outras vítimas encaminharem denúncias à Santa Sé.

 

A investigadora particular e perita  Letícia Cimó de Oliveira publicou um pronunciamento em vídeo no qual faz graves denúncias contra membros do clero pertencentes à Arquidiocese de Botucatu (SP). No relato, divulgado no contexto da campanha do Agosto Lilás — mês de conscientização e combate à violência contra a mulher —, ela afirma ter sido vítima de perseguição, difamação e diferentes modalidades de abuso por parte de sacerdotes.

Logo na abertura da mensagem, Letícia rebate com veemência adjetivos e rótulos pejorativos que teriam sido utilizados para desqualificar o seu depoimento e descaracterizar a sua imagem pública.

"Não é puta, não é louca, não é mentirosa, não é drogada. É Letícia Cimó de Oliveira. E sim, tentaram me descaracterizar, tentaram fazer com que eu fosse louca. E isso é violência contra a mulher. Estamos vivendo o Agosto Lilás, mês de combate à violência contra a mulher, e eu sou uma vítima", declarou.

Acusações de abusos e omissão hierárquica

Segundo o relato da perita, a violência não teria partido de apenas um indivíduo, mas de múltiplos agressores ligados à estrutura religiosa local. Ela alega ter sofrido violência psicológica, moral, patrimonial e religiosa.

Além das agressões diretas, Letícia aponta a inércia da alta hierarquia da Igreja Católica na região, afirmando que a cúpula diocesana tinha pleno conhecimento dos fatos relatados e nada fez para conter os abusos ou proteger as vítimas.

"O bispo sabe. E o que o bispo fez? Nada. O importante é cada um se proteger e as vítimas que se lasquem. É daí que entram os nomes que a gente recebe. O bispo passou para um, que me chamou de louca e reproduziu o abuso. Passou para outro, que não quis aceitar a denúncia e me forçou a ficar cara a cara com o meu agressor", revelou.

Letícia também relembrou outros episódios recentes envolvendo sacerdotes da região, citando o caso de uma senhora idosa que teria sido agredida no ano passado sem que houvesse punição ou suporte adequado por parte das autoridades eclesiásticas.

Denúncias formais encaminhadas ao Vaticano

Diante da falta de respostas no âmbito local, a perita confirmou que formalizou denúncias diretamente na Santa Sé (Vaticano) contra os envolvidos e contra a própria Arquidiocese de Botucatu.

Ela ressaltou que não está isolada e que tem prestado auxílio técnico e institucional a outras mulheres que vivenciaram situações semelhantes dentro da Igreja na região.

"Eu denunciei no Vaticano. Eu denunciei todo mundo no Vaticano. E estou assessorando mais vítimas que também denunciaram no Vaticano. Então, contra a Arquidiocese de Botucatu, há muitas denúncias no Vaticano. As vítimas cansaram de ser perseguidas e de ter seus direitos cerceados", afirmou.

Quem é Letícia Cimó de Oliveira

  • Formação: Tecnóloga em Investigação Particular (Uninter) e formação em Detetive Profissional. Graduanda em Serviços Jurídicos e Notariais, Conciliação/Mediação e Letras.

  • Atuação Profissional: Perita Judicial, Investigadora Profissional e atuante em Perícias de Grafologia, Documentoscopia e Análise Forense.

  • Afiliações: Membro da Sociedade Brasileira de Ciências Forenses (SBCF), da Sociedade Brasileira de Neuropsicopedagogia (SBNPP) e da Associação Brasileira de Linguística (Abralin).

  • Produção Científica: Autora de artigos e trabalhos publicados em veículos e eventos científicos de referência na área de Toxicologia Forense.

Apoio técnico gratuito a novas vítimas

Ao final de sua declaração, Letícia antecipou críticas ligadas à proximidade do "Setembro Amarelo" (mês de prevenção ao suicídio e cuidados com a saúde mental), alertando para a hipocrisia de instituições que negligenciam abusadores em seus quadros.

Ela colocou sua estrutura profissional à disposição de outras mulheres afetadas por abusos na jurisdição eclesiástica de Botucatu, oferecendo apoio pericial gratuito para a instrução de novas denúncias a serem enviadas a Roma.

"Se você foi uma vítima da Arquidiocese de Botucatu, pode entrar em contato comigo porque estou fazendo assessoria gratuita, dentro de todos os parâmetros periciais, para fazer a denúncia no Vaticano. Não tenha medo. Eu sobrevivi e vocês vão sobreviver também. Juntas a verdade virá à tona, porque juntas somos mais fortes."

Comentários
Comentário enviado com sucesso!