A Polícia Civil concluiu a investigação da Operação “Veritas Vincit”, que apurou o roubo do celular e uma possível ameaça contra o vereador Fernando Sirchia (PDT), de Assis (SP). O crime ocorreu em março deste ano e, segundo os investigadores, pode estar relacionado à atuação do parlamentar em uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apurava possíveis irregularidades em cartões de abastecimento da Prefeitura.
Ao todo, oito pessoas foram identificadas como suspeitas de participação nos crimes, em diferentes níveis. Segundo a Polícia Civil, seis dos investigados possuem ou possuíam vínculo com a administração municipal.
Entre os investigados estão os ex-chefes de departamento Matheus Henrique da Cunha Felício e Wagner Fernando Eugênio Binati, que chegaram a ser presos durante a operação. O então secretário municipal de Planejamento, Obras e Serviços, Leandro Gabrigna, também foi preso sob suspeita de envolvimento na articulação do crime e em ameaças contra o vereador.
Durante a operação, seis investigados tiveram prisões temporárias decretadas. Com o encerramento das investigações, a Polícia Civil solicitou à Justiça que essas prisões sejam convertidas em preventivas.
Os investigadores também pediram a prisão preventiva de um sétimo suspeito, que ocupava o cargo de secretário municipal de Governo e Administração. Segundo a apuração, ele teria possível ligação com o núcleo de articulação do crime e com o comprometimento de registros do sistema municipal de videomonitoramento.
Para um oitavo investigado, também servidor público municipal, foram solicitadas medidas cautelares.
A Justiça ainda não havia se manifestado sobre os pedidos apresentados pela Polícia Civil. O Ministério Público também ofereceu denúncia contra os investigados. As defesas dos envolvidos foram procuradas.
Em nota, a Prefeitura de Assis afirmou que não tinha conhecimento prévio sobre eventual participação de servidores ou ex-secretários municipais nos fatos investigados. O município declarou que possíveis condutas criminosas são de responsabilidade individual de seus autores, caso sejam comprovadas.
A administração também informou que adota as medidas administrativas cabíveis diante de fatos que possam configurar infração funcional, respeitando o contraditório e a ampla defesa. A prefeitura afirmou ainda que não compactua com violência, ameaça, intimidação ou uso da estrutura pública para interesses particulares ou políticos e que permanece à disposição das autoridades.
Relembre o caso
O vereador Fernando Sirchia foi rendido por um homem armado dentro de sua residência, em Assis, na tarde de 23 de março.
Segundo o boletim de ocorrência, o suspeito teria se apresentado como pesquisador de uma faculdade para conseguir contato com o parlamentar. Desconfiado da abordagem, Sirchia começou a gravar o homem com o celular.
Nesse momento, o suspeito teria sacado um revólver, anunciado o assalto e afirmado que havia recebido uma ordem para matar o vereador e a esposa dele.
Ao perceber que estava sendo filmado, o criminoso tomou o celular da vítima e fugiu.
O vereador não ficou ferido. Após o episódio, registrou boletim de ocorrência e permaneceu afastado das atividades da Câmara Municipal por cerca de 30 dias, alegando preocupação com a segurança da família.
A investigação agora segue para as próximas etapas judiciais, enquanto a Justiça analisa os pedidos apresentados pela Polícia Civil.