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Júri absolve dois PMs acusados de matar jovem rendido durante operação em Paraisópolis
Por Felipe Augusto
Publicado em 31/07/2026 10:54
SÃO PAULO

 

O Tribunal do Júri absolveu os policiais militares Renato Torquatto da Cruz e Robson Noguchi de Lima, acusados de matar Igor Oliveira de Moraes Santos, de 24 anos, durante uma operação policial realizada em 10 de julho de 2025, em Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo. O julgamento teve início na terça-feira (28) e foi encerrado nesta quinta-feira (30), no Fórum Criminal da Barra Funda.

A decisão foi tomada por um Conselho de Sentença formado por sete jurados, sendo cinco homens e duas mulheres. Conforme a sentença, os jurados reconheceram a materialidade do crime e a autoria dos disparos, mas responderam de forma favorável ao quesito absolutório, resultando na absolvição dos dois réus.

Com a decisão, a Justiça determinou a expedição do alvará de soltura dos policiais, que será encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes.

Outros dois policiais militares envolvidos na ocorrência, Hugo Leal de Oliveira Reis e Victor Henrique de Jesus, também respondem pelo caso, apontados como colaboradores dos executores. O processo deles foi desmembrado e ainda não há data definida para julgamento.

A defesa da família de Igor informou que já apresentou recurso contra a sentença. Em nota, os advogados afirmaram entender que a decisão é contrária às provas produzidas durante o processo e disseram confiar que o Tribunal de Justiça determine a realização de um novo julgamento.

Imagens das câmeras corporais marcaram o caso

O caso ganhou grande repercussão após a divulgação das imagens das câmeras corporais dos policiais militares. As gravações mostram Igor rendido, com as mãos sobre a cabeça, obedecendo às ordens dos agentes.

Nas imagens, o jovem deita no chão e, posteriormente, começa a se levantar após receber nova ordem dos policiais. Nesse momento, segundo os vídeos, o cabo Renato Torquatto da Cruz efetua o primeiro disparo e, logo em seguida, o cabo Robson Noguchi de Lima também atira contra Igor.

As gravações ainda registram que os quatro homens abordados estavam rendidos e não apresentam qualquer arma durante toda a ação. Após os disparos, os policiais aparecem afirmando que o suspeito estaria armado e fazem novos disparos contra uma parede enquanto ordenam que os abordados "soltem a arma". Até o fim das imagens, não há registro da apreensão de armamento com os suspeitos.

Investigação apontou execução

Segundo o Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), as imagens indicaram que Igor foi executado mesmo estando desarmado e rendido. A investigação apontou que os policiais não perceberam que as câmeras corporais permaneciam gravando durante toda a ocorrência.

Na época da operação, policiais das Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas (Rocam), do 16º Batalhão da Polícia Militar, afirmaram que realizavam patrulhamento para combater o tráfico de drogas na comunidade quando suspeitos teriam fugido para uma residência.

O Ministério Público denunciou os quatro policiais envolvidos, e a denúncia foi aceita pela Justiça, tornando-os réus pelo caso. Agora, após a absolvição dos dois primeiros acusados, o processo segue em relação aos outros dois policiais, que ainda aguardam julgamento.

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