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Relatório do Cenipa revela que avião da Voepass emitiu cinco alertas antes de cair em Vinhedo
Por Felipe Augusto
Publicado em 24/07/2026 11:14
Região

 

O relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), divulgado nesta quinta-feira (23), concluiu que o avião da Voepass que caiu em Vinhedo (SP), em agosto de 2024, emitiu ao menos cinco alertas de segurança antes da perda de controle da aeronave. O acidente matou as 62 pessoas a bordo e é considerado o mais grave da aviação brasileira desde o desastre com o voo da TAM, em 2007.

De acordo com a investigação, os sistemas da aeronave alertaram repetidamente para formação de gelo, perda de desempenho, baixa velocidade e risco de estol (perda de sustentação). No entanto, segundo o Cenipa, esses avisos não receberam o tratamento adequado por parte da tripulação.

Durante a apresentação do relatório, o órgão também exibiu uma simulação que reconstitui os momentos finais do voo 2283, que fazia a rota entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP).

Entre os alertas registrados estavam o acionamento do detector eletrônico de gelo, que indicava condições favoráveis ao acúmulo de gelo nas superfícies da aeronave, avisos de velocidade abaixo da recomendada, alertas do sistema de monitoramento de desempenho (APM), além do alerta de estol nos instantes finais do voo. Um dos avisos de baixa velocidade era classificado pelo fabricante como "nível 2", categoria que, segundo o relatório, pode ter contribuído para que a gravidade da situação fosse subestimada.

A investigação concluiu que uma combinação de fatores levou ao acidente. Entre eles, o relatório aponta que os pilotos conversavam sobre assuntos pessoais durante momentos críticos do voo, o que reduziu a atenção aos alertas emitidos pela aeronave. Além disso, os tripulantes esqueceram de acionar o sistema de degelo, não solicitaram uma descida imediata e também não declararam situação de emergência, mesmo com o agravamento das condições de voo.

Outro fator destacado foi a chamada "normalização de desvios". Segundo o Cenipa, alguns alertas do sistema de monitoramento eram frequentes na rotina operacional da companhia, o que teria levado os pilotos a considerá-los como situações comuns, diminuindo a percepção de risco.

O relatório também identificou problemas antes mesmo da decolagem. A aeronave apresentava falha no limpador de para-brisa e, devido à previsão de chuva na rota e no destino, não deveria ter iniciado o voo nessas condições. Além disso, falhas relacionadas ao sistema de degelo já haviam sido registradas em voos anteriores da mesma aeronave, no mesmo dia e na véspera do acidente, mas essas ocorrências não foram anotadas no diário técnico, impedindo a realização da manutenção necessária.

A investigação ainda apontou que a Voepass mantinha uma "cultura de normalização de desvios" em procedimentos operacionais, fator que contribuiu para que alertas recorrentes recebessem menor atenção.

Em nota, a Voepass afirmou que a tragédia representa o episódio mais difícil da história da empresa e informou que continua colaborando com as autoridades de forma transparente. A companhia declarou ainda que adota procedimentos de segurança alinhados aos padrões internacionais e destacou que os pilotos do voo possuíam mais de 5 mil horas de experiência, estavam devidamente certificados e aptos para a operação.

O voo 2283 caiu na tarde de 9 de agosto de 2024, durante o trajeto entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP). Ao todo, morreram 62 pessoas, sendo 58 passageiros e quatro tripulantes.

Para elaborar o relatório final, o Cenipa analisou as caixas-pretas da aeronave, realizou testes em simuladores, efetuou um voo experimental com outro ATR 72-500, examinou motores, sistemas de degelo e de proteção contra estol, além de avaliar mais de 15 mil voos da mesma frota. O documento também apresenta recomendações para reforçar a segurança operacional e prevenir novos acidentes na aviação brasileira.

 
 
 
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