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Em São Manuel, diagnósticos opostos e espera sob frio expõem falha em atendimento a criança com epilepsia
Segundo a mãe, em entrevista por telefone ao portal SM Conectado, o menino de 3 anos sofreu convulsões na sala de espera e no carro após falhas na triagem; família foi orientada a aguardar do lado de fora sob frio intenso.
Por Moisés Moura
Publicado em 16/07/2026 14:30 • Atualizado 16/07/2026 14:40
São Manuel

Uma família de São Manuel (SP) denuncia o Hospital Casa Pia São Vicente de Paulo por suposta negligência e falhas graves no atendimento de uma criança de 3 anos, que possui epilepsia e faz uso de medicamentos controlados. Em entrevista por telefone ao Portal SM Conectado, a mãe do menino — que pediu para não ser identificada — relatou que o filho sofreu múltiplas convulsões durante o período em que aguardava atendimento, enfrentou diagnósticos contraditórios de médicos plantonistas e precisou esperar por observação em um ambiente inadequado sob baixas temperaturas.

A criança realiza acompanhamento neurológico especializado em Botucatu (SP) devido ao seu quadro clínico pré-existente.

Exame realizado no dia 15, apontado como parte da investigação médica que levou ao diagnóstico de epilepsia.

Espera e primeira convulsão na triagem

O caso teve início quando a criança apresentou febre de 38°C. Ao chegar ao pronto-atendimento do hospital de São Manuel, a mãe relatou que o local estava lotado, predominantemente por adultos.

Ao realizar a ficha de atendimento, a equipe de recepção informou que, devido ao quadro de epilepsia e febre, o menino seria o próximo a ser chamado em caráter de urgência. No entanto, após cerca de 20 minutos de espera  e depois que quatro pessoas que chegaram depois foram atendidas, a criança sofreu uma convulsão na sala de espera.

"A atendente chegou a dizer que o que ele estava tendo era apenas sono, e não uma convulsão", afirmou a mãe em contato telefônico com a reportagem do SM Conectado.

Ao conseguir entrar no consultório, o primeiro médico plantonista diagnosticou o menino com inflamação na garganta. Foi aplicada uma dose de dipirona e receitado um antibiótico, sem que nenhum exame clínico ou laboratorial complementar fosse solicitado.

Diagnósticos divergentes e nova convulsão no veículo

Na terça-feira, ao retornar ao hospital devido à persistência dos sintomas, a família passou por um segundo médico. Este profissional contestou o diagnóstico anterior, afirmando que a garganta da criança não apresentava nenhuma alteração.

O médico prescreveu uma aplicação de Benzetacil e uma injeção para conter os episódios de vômito. Ele orientou que a criança ficasse em observação no hospital por uma hora. Contudo, segundo o relato da mãe ao portal, foi informado que essa espera deveria ser feita na sala de espera externa.

Diante do frio intenso da noite e com o cobertor do filho sujo de vômito, ela optou por aguardar dentro do carro da família, no estacionamento, para proteger a criança do vento. Cerca de 20 minutos após a aplicação da injeção, o menino convulsionou novamente dentro do veículo.

 

Espera do lado de fora

Desesperada, a mãe retornou correndo para a sala de medicação. A enfermeira de plantão colocou o menino em uma maca e aferiu a saturação de oxigênio. Embora a criança não estivesse respondendo aos estímulos, a equipe de enfermagem afirmou que a saturação estava normal e que o estado letárgico era apenas o "sono pós-convulsão", alegando não haver necessidade de administração de oxigênio. A família foi orientada a aguardar do lado de fora mais uma vez.

Durante o período de espera externo, a própria mãe monitorou a temperatura do filho com um termômetro pessoal, que apontou febre acima de 38°C. Após insistência, ela conseguiu retornar ao acolhimento para nova medição.

  • Divergência de aparelhos: Enquanto o termômetro da mãe marcava febre persistente, o termômetro do hospital registrou 37,4°C.

  • Apoio da segurança: Diante do frio e da espera na área externa, o próprio segurança da unidade se solidarizou e ofereceu um cobertor para cobrir a criança.

Posteriormente, o menino sofreu o que a mãe descreveu como uma "convulsão silenciosa". Ao entrarem novamente às pressas na sala de triagem, a enfermeira aferiu a temperatura em 39°C. Desta vez, segundo a família, a saturação de oxigênio sequer foi medida.

Ao todo, os pais e a criança chegaram ao hospital às 8h e só foram liberados por volta das 12h, após a febre baixar temporariamente.

Estado atual

Segundo os familiares informaram ao SM Conectado, o garoto continua apresentando picos de febre em casa, e a família segue preocupada com a falta de um diagnóstico preciso e seguro para o quadro clínico do filho.

O portal SM Conectado  tentou contato com a administração do Hospital de São Manuel  para solicitar um posicionamento sobre a conduta das equipes de triagem, enfermagem e do corpo médico, bem como sobre a estrutura de espera do hospital. Até a publicação desta matéria, não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestação das autoridades de saúde.

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