Offline
Irmãos mortos após perseguição e confronto são sepultados sob clima de protesto e dúvidas em Sorocaba
Por Felipe Augusto
Publicado em 10/07/2026 10:31
Região

Foram sepultados na manhã desta sexta-feira (10), no Cemitério da Consolação, na Zona Leste de Sorocaba, os corpos dos irmãos Pablo Rikman Fernandes Oliveira, de 27 anos, e Diogo Henrique Fernandes Rosa, de 24 anos. Eles morreram na madrugada de quinta-feira (9) após uma abordagem da Polícia Militar que resultou em perseguição e disparos de arma de fogo na Avenida Dom Aguirre.

O velório teve início durante a madrugada na Ossel Vila Assis. O sepultamento de Pablo ocorreu às 9h30, seguido pelo de Diogo, às 10h30. O caso foi registrado como morte decorrente de intervenção policial e porte ilegal de arma de fogo, e está sendo investigado pela Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Sorocaba, com acompanhamento da PM.

A Versão da Polícia Militar

De acordo com o boletim de ocorrência, os irmãos seguiam em um veículo pela Avenida Dom Aguirre quando desobedeceram a uma ordem de parada de uma viatura da Polícia Militar.

  • A Fuga: A PM afirma que o condutor realizou diversas manobras perigosas até perder o controle da direção e colidir o automóvel contra um poste e um muro.

  • O Confronto: Segundo o relato dos agentes, após a batida, os irmãos se recusaram a se render. Uma jovem de 20 anos, prima dos rapazes que também estava no carro, desceu do veículo. Nesse momento, os policiais alegam que os irmãos apontaram armas de fogo em direção à viatura, o que motivou a reação dos policiais.

Pablo morreu no local do acidente. Diogo chegou a ser socorrido por uma ambulância, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu após dar entrada no Centro Hospitalar de Sorocaba (CHS).

Família e Testemunha Questionam a Ação

A família dos jovens contesta veementemente a versão oficial e nega que eles estivessem armados. A prima que sobreviveu à ação apresentou contradições cruciais em relação ao primeiro registro policial.

No boletim de ocorrência inicial, constava que a jovem teria dito que os primos andavam armados porque o pai deles havia sido vítima de homicídio. No entanto, em seu depoimento formal na delegacia e em entrevista à TV TEM, ela desmentiu a informação e criticou a conduta policial.

"A gente escutou só o barulhinho da sirene, tanto que eu achei que eles estavam querendo ultrapassar. Aí quando escutamos que era com a gente mesmo, para parar, a gente parou no sinal. Mas como eles começaram a gritar 'desce do carro', a gente acabou que acelerou novamente [por susto]", relatou a jovem.

Ela também detalhou o momento exato dos disparos após a colisão:

 

"Assim que batemos no poste e com o muro, eu peguei e abri a porta. Esperava que eles fossem sair também, mas abri a porta e me jungei, porque estava meio machucada e atordoada. Nisso os disparos já estavam acontecendo e achei que iam parar. Gritei, pedi, falei 'parem, por favor! eles não estão com nada', mas não ouviram. Só pediram para me afastar no momento, para eu não ver o que estava acontecendo. Não tiveram chance de nada."

Comentários
Comentário enviado com sucesso!