Seleção sofre com forte marcação e sai atrás, mas brilha no segundo tempo com gols de Casemiro e Martinelli para selar classificação heroica. Em São Manuel, torcida faz a festa na Estação Ferroviária.
O sonho do hexa segue vivo, mas não sem antes testar o coração do torcedor brasileiro. Em um duelo repleto de drama, a Seleção Brasileira venceu o Japão de virada por 2 a 1 no Estádio de Houston, no Texas, e garantiu sua vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. Após um primeiro tempo de pesadelo, o time de Carlo Ancelotti reagiu na etapa final, coroando a pressão com um gol salvador de Gabriel Martinelli aos 50 minutos.
Com o resultado no inédito mata-mata de 16 avos de final, o Brasil agora aguarda o vencedor do confronto entre Costa do Marfim e Noruega. As oitavas acontecem no próximo domingo (5), às 17h (de Brasília), em Nova Jersey.

Festa em São Manuel: Arena Brasil na Estação Ferroviária
A milhas de distância do Texas, a energia da torcida são-manuense empurrou a Seleção. No município de São Manuel, centenas de famílias se reuniram para acompanhar a partida em mais uma edição do evento municipal Arena Brasil, que começou suas atividades com foco nos jogos da Seleção neste mês de junho.
A histórica Estação Ferroviária da cidade foi o ponto de encontro da comunidade. Com um telão de alta definição instalado no local, o público vivenciou uma verdadeira montanha-russa de emoções. O clima, que era de apreensão e silêncio no primeiro tempo, transformou-se em pura euforia na etapa complementar. Centenas de pessoas puderam vibrar e celebrar juntas os gols de Casemiro e Martinelli, transformando o espaço público em um mar verde e amarelo após o apito final.
Os gols do jogo: O susto e a redenção
O Japão surpreendeu e abriu o placar aos 28 minutos do primeiro tempo. Após um erro de passe do lateral Danilo na intermediária, o volante japonês Kaishu Sano interceptou a bola, avançou pelo meio ganhando de Casemiro e soltou um chute rasteiro, cirúrgico, no canto direito de Alisson.
A reação brasileira começou logo no início da segunda etapa. Aos 10 minutos, após cobrança de escanteio e bate-rebate, o capitão Casemiro se redimiu do lance do gol japonês e estufou a rede de Zion Suzuki, empatando o jogo e incendiando a torcida.
Quando a prorrogação parecia inevitável, brilhou a estrela das substituições de Ancelotti. Aos 50 minutos do segundo tempo, em uma pressão sufocante na área asiática, Gabriel Martinelli pegou a sobra e empurrou para o fundo do gol, decretando a virada heroica.
Atuação e Dificuldades: Os dois lados da Seleção
O Brasil viveu duas realidades distintas na partida, escancarando virtudes e problemas que devem ser corrigidos para a sequência do torneio.
1. O pesadelo do primeiro tempo
A Seleção iniciou sufocando e quase abriu o placar com Matheus Cunha, parado por grande defesa de Suzuki. Porém, após os primeiros 15 minutos, o Japão encaixou uma marcação alta e extremamente compacta. O Brasil encontrou imensas dificuldades criativas:
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Laterais presos: Danilo e Douglas Santos não conseguiram dar amplitude.
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Isolamento na frente: Bem marcados pelas alas, Vinícius Júnior e Rayan ficaram isolados, e os passes longos se tornaram previsíveis.
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Erros de transição: Ansioso, o meio-campo cometeu falhas bobas de passe que geraram o contra-ataque do gol japonês. Lucas Paquetá, muito caçado, acabou substituído no intervalo.
2. A metamorfose na etapa final
Na volta do vestiário, Ancelotti reorganizou o time, adiantou as linhas e deu mais intensidade física e velocidade pelos lados. O Brasil dominou amplamente a posse de bola (terminando com 68%) e bombardeou a área adversária com 43 cruzamentos. A paciência para rodar a bola desmontou o ferrolho nipônico, e o volume ofensivo traduziu-se nas chances que decidiram o jogo.
Análise do ge: O Brasil mostrou poder de reação e estofo psicológico de campeão para não se desesperar com o relógio correndo. Contudo, a rigidez tática do Japão acende o alerta: contra seleções que se fecham com eficiência, faltou repertório central e aproximação rápida no primeiro tempo.
Próximos Passos
Os jogadores ganham folga parcial antes de iniciarem os treinamentos voltados para o duelo de Nova Jersey. O elenco precisará ajustar o desgaste físico, especialmente sob o forte calor enfrentado nos EUA, para seguir firme rumo ao topo do mundo.