Com mais de um mês de queixas e diversos protocolos sem resposta, proprietários rurais em São Manuel flagram restos de comida e forte odor em córrego

SÃO MANUEL – Proprietários de chácaras situadas no entorno da estrada vicinal Dr. Nilo Lisboa Chavasco, em São Manuel, no interior paulista, lidam há mais de 30 dias com o que apontam ser um derramamento contínuo de esgoto sem que uma solução seja apresentada.
O descarte atinge nascentes locais e corre pelo leito do córrego do Pimenta, um dos braços que alimentam o rio Paraíso — manancial de relevância estratégica para o equilíbrio ambiental e o ecossistema da região.

A reportagem do portal São Manuel Conectado inspecionou a área a convite dos moradores. No local, foram obtidos registros fotográficos e em vídeo que revelam indícios contundentes de contaminação por efluentes domésticos no córrego do Pimenta. Entre os resíduos visíveis na água, há restos de alimentos, como grãos de arroz, acompanhados de um odor fétido característico de esgoto a céu aberto.
Um dos moradores afetados, que preferiu resguardar sua identidade, afirma acumular uma série de protocolos de atendimento abertos junto à Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). O impasse, contudo, arrasta-se há semanas.

De acordo com o relato, técnicos da concessionária chegaram a comparecer ao endereço em uma ocasião, mas limitaram-se a fotografar a fachada da propriedade rural, retirando-se em seguida sem realizar testes na água ou reparos na rede de tubulação.
Impacto no rio Paraíso
A persistência do problema gera preocupação quanto à segurança hídrica local. O córrego do Pimenta deságua diretamente no rio Paraíso, curso d'água considerado vital para o município de São Manuel.

Além de sustentar a fauna nativa e abastecer os lençóis freáticos que preservam as matas ciliares, o rio Paraíso cruza uma zona de intensa atividade agropecuária. A contaminação de suas cabeceiras por esgoto não tratado impõe riscos de degradação biológica e ameaça as pequenas propriedades rurais que dependem da qualidade dessas águas para a subsistência e o manejo diário.
Outro lado
Até o fechamento desta reportagem, a Sabesp não havia se manifestado sobre a quantidade de protocolos abertos pelos moradores, as razões para a demora no atendimento ou se há uma nova inspeção técnica agendada para o local. O espaço permanece aberto para o posicionamento da companhia.