Foto: TV TEM/Reprodução
Mulheres de Bauru e região denunciaram supostos casos de violência obstétrica e desrespeito ao direito de escolha da via de parto durante atendimentos realizados na Maternidade Santa Isabel, em Bauru. Segundo relatos exibidos pela TV TEM, pacientes que solicitaram a realização de cesarianas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) tiveram os pedidos negados e foram submetidas a longos períodos de indução para parto normal.
Um dos casos mais graves envolve a microempresária Ana Carolina dos Santos Osti, moradora de Piratininga. Com 40 semanas de gestação, ela procurou atendimento após perceber que seu bebê havia parado de se movimentar. Ao chegar à maternidade, apresentava pressão arterial elevada e foi internada.

Foto: TV TEM/Reprodução
Ana afirma que questionou a equipe médica sobre a possibilidade de realizar uma cesariana logo no início do atendimento, mas recebeu a informação de que o procedimento não seria realizado naquele momento. Horas depois, ela foi submetida à indução do parto normal, mesmo relatando que continuava sem sentir os movimentos do bebê.
Segundo a mãe, após diversas avaliações, os profissionais não conseguiram mais identificar os batimentos cardíacos da criança. Posteriormente, ela foi informada de que houve um rompimento da placenta e que seu filho, Theo, não havia resistido. A família registrou boletim de ocorrência e o caso passou a ser investigado pela Polícia Civil.
A legislação paulista garante, desde 2019, que gestantes a partir da 39ª semana de gravidez possam optar pela realização da cesariana. Caso o pedido seja negado, o médico responsável deve registrar a justificativa no prontuário da paciente.

Foto: TV TEM/Reprodução
Outro relato é o da trancista Emily Helena Domingues de Souza, de 23 anos. Após experiências traumáticas em partos anteriores e diagnosticada com diabetes gestacional, ela afirma que desejava realizar uma cesariana desde o pré-natal. No entanto, mesmo após entrar em trabalho de parto, permaneceu cerca de 26 horas aguardando o procedimento.
Emily relata que solicitou a cesariana diversas vezes, mas recebeu orientações para continuar tentando o parto normal. Segundo ela, a cirurgia só foi realizada após a redução dos batimentos cardíacos da bebê, Zoe, que nasceu por meio do procedimento sem complicações.
Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde informou que as maternidades estaduais seguem a legislação vigente e que as decisões relacionadas à via de parto consideram critérios de segurança para mãe e bebê, além da avaliação médica. A pasta afirmou ainda que determinou uma apuração interna sobre o caso de Ana Carolina e que analisa os relatórios médicos referentes ao atendimento prestado.
Sobre o caso de Emily, a secretaria declarou que a cesariana foi realizada após solicitação da paciente, respeitando os critérios de segurança e a disponibilidade do centro cirúrgico.
As denúncias reacendem o debate sobre o respeito à autonomia das gestantes, o cumprimento da legislação estadual e a necessidade de garantir atendimento humanizado durante o parto.