Proposição da vereadora Letícia Castaldi e aliados visa centralizar o atendimento infantil, mas opositores criticam viabilidade e alinhamento com as diretrizes do Ministério da Saúde.
SÃO MANUEL — Uma proposta para a criação de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) Pediátrica exclusiva para crianças e adolescentes de até 14 anos gerou forte debate e divergências entre os parlamentares na Câmara Municipal. A Indicação n.º 126/2026, protocolada pela vereadora Letícia Castaldi junto aos vereadores Davi Pires Batista e Paulo Sergio dos Santos, defende a centralização de especialistas, exames e atendimento multiprofissional em um único espaço de cuidado integral.
De acordo com o texto da indicação, a medida busca "assegurar acesso rápido e humanizado à saúde infantil, reduzir a sobrecarga da rede pública e promover diagnósticos precoces". Os autores justificam que o município conta atualmente com apenas duas unidades que oferecem atendimento pediátrico exclusivo, o que consideram insuficiente para a demanda atual.

Críticas à viabilidade e alinhamento técnico
Apesar dos argumentos baseados na ampliação da assistência infantil, a proposta enfrentou forte resistência e foi alvo de duras críticas por parte de outros integrantes do Legislativo, que questionaram a aplicação prática da medida no contexto do município.
O vereador Dr. Omar subiu o tom ao avaliar a proposta, classificando-a como distante das condições reais da administração pública local.
"Essa indicação é uma afronta à realidade. Uma proposta como essa seria perfeita para a Suíça, não para o nosso município", declarou Dr. Omar.
No aspecto técnico e estrutural, a vereadora Vanessa Di Lello apontou que a criação de uma unidade nesses moldes entra em conflito com a organização do sistema público de saúde nacional. Segundo a parlamentar, a medida "vai contra a recomendação do Ministério da Saúde", que preconiza a descentralização do atendimento primário e a integração da pediatria na rede geral de UBSs para garantir a proximidade do atendimento nos bairros.

Endossando as críticas, o vereador Mateus argumentou que a proposta carece de sustentação prática e financeira, rotulando a iniciativa como uma manobra política. Para ele, a indicação é "populista e vai contra a realidade da cidade", argumentando que o foco do município deveria ser o fortalecimento das estruturas já existentes em vez da criação de novos complexos exclusivos de alto custo.

A indicação segue o rito legislativo da Casa e, por se tratar de uma indicação, funciona como uma sugestão dos parlamentares que depende do aval e de estudos de viabilidade por parte do Poder Executivo Municipal para sair do papel.