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Terapeuta morre após retirada de óvulos em clínica de SP; polícia investiga possível erro médico
Por Felipe Augusto
Publicado em 22/05/2026 18:38
Região

 

Foto: Reprodução

A morte da terapeuta Gabriela Martins Santos Moura, de 31 anos, após um procedimento de retirada de óvulos em uma clínica particular de reprodução humana na Zona Sul de São Paulo, está sendo investigada pela Polícia Civil como morte suspeita. A jovem sofreu uma parada cardiorrespiratória durante o processo de fertilização in vitro e morreu sete dias depois, após ter morte encefálica confirmada no Hospital Sírio-Libanês.

Imagens de câmeras de segurança da Clínica Genics, em Indianópolis, registraram os momentos de tensão durante o socorro à paciente. As gravações mostram médicos, funcionários e socorristas tentando salvar Gabriela antes de ela ser transferida de ambulância para o hospital.

 Foto: Reprodução

O marido da terapeuta, o médico Samuel Moura, acompanhava o procedimento e afirmou que a esposa ficou cerca de 15 minutos sem oxigenação cerebral até que os batimentos cardíacos fossem restabelecidos. Segundo ele, a demora pode ter causado danos irreversíveis no cérebro da paciente.

“Uma falta de atenção, uma falta de assistência, porque teoricamente quando você faz uma anestesia desse porte, tem que estar um profissional habilitado todo o tempo do lado da paciente”, lamentou Samuel.

O caso é investigado pelo 4º Distrito Policial da Consolação, que apura se houve falha médica durante o procedimento, reação à anestesia ou até alguma condição de saúde não identificada previamente. O laudo necroscópico do Instituto Médico Legal (IML), considerado fundamental para esclarecer a causa da morte, ainda não foi concluído.

De acordo com o prontuário do Hospital Sírio-Libanês, Gabriela morreu possivelmente em decorrência de “encefalopatia anóxica e hipertensão intracraniana”, quadro associado à falta de oxigênio no cérebro.

 Foto: Reprodução

O anestesista responsável pelo procedimento, Nestor Turner, afirmou em depoimento à polícia que a paciente apresentou dificuldade respiratória durante a sedação e que todas as medidas necessárias foram adotadas, incluindo intubação, massagem cardíaca e administração de adrenalina. Ele também declarou que os equipamentos estavam funcionando normalmente.

Já a médica responsável pela coleta dos óvulos, Aline Leite Nogueira, disse que o procedimento ginecológico ocorreu sem intercorrências e que foi chamada posteriormente pelo anestesista após Gabriela apresentar coloração arroxeada e ausência de pulso.

Gabriela era formada em Direito e compartilhava nas redes sociais conteúdos ligados à saúde, atividade física e qualidade de vida. Apaixonada por corrida, ela participou recentemente de provas como a São Silvestre e a meia maratona do Rio de Janeiro.

Casada há quase oito anos com Samuel Moura, Gabriela sonhava em ser mãe. Após sua morte, a família decidiu doar os órgãos da terapeuta. O corpo foi sepultado no Piauí, estado onde o casal se conheceu.

Em nota, a Clínica Genics afirmou que o procedimento de fertilização in vitro é considerado seguro e raro em complicações graves. A clínica informou ainda que colabora com as investigações e reforçou que todos os protocolos médicos foram seguidos durante o atendimento à paciente.

 
 
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