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Menino de 11 anos encontrado acorrentado em casa morre por desnutrição grave e maus-tratos, aponta laudo
Por Felipe Augusto
Publicado em 19/05/2026 23:35
Região

 

Foto: Reprodução

O laudo necroscópico confirmou que o menino Kratos Douglas, de 11 anos, morreu em decorrência de desnutrição grave e maus-tratos. A criança foi encontrada morta e acorrentada dentro da casa onde morava com a família, na Zona Leste de São Paulo, no último dia 11 de maio.

De acordo com a Polícia Civil, o garoto sofria torturas e era mantido acorrentado havia pelo menos um ano. O pai da vítima, Chris Douglas, de 52 anos, a madrasta Camilla Barbosa Dantas Felix, de 42, e a avó paterna Aparecida Gonçalves, de 81 anos, foram presos e indiciados por tortura com resultado morte. A pena para o crime pode chegar a 16 anos de prisão.

Segundo o delegado Thiago Bassi, do 50º Distrito Policial de Itaim Paulista, as investigações apontam a participação dos três familiares no caso.

“Estamos convictos da participação dos três no crime de tortura”, afirmou o delegado.

Foto: Reprodução

Ainda conforme a polícia, vizinhos relataram que nunca viram o menino sair da residência durante o período em que a família morou no bairro.

Em depoimento, o pai admitiu que acorrentava o filho alegando que queria impedir fugas. Apesar disso, negou agressões. A investigação, no entanto, encontrou lesões nas pernas da criança compatíveis com tortura, além de sinais severos de desnutrição.

O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, classificou a situação como extremamente chocante.

“Era um menino muito magro, praticamente só pele e osso”, declarou.

A madrasta e a avó afirmaram à polícia que sabiam que Kratos era acorrentado, mas disseram que não participavam das agressões. Elas alegaram que o garoto fugia constantemente de casa e que isso teria motivado o pai a prendê-lo. Também afirmaram que a criança não frequentava a escola desde 2024.

Segundo a delegada Ancilla Vega, titular do 50º DP, Kratos não estava matriculado em nenhuma unidade escolar.

O caso veio à tona após a própria família acionar o Samu e o Corpo de Bombeiros alegando que o menino passava mal. Quando os socorristas chegaram ao imóvel, a criança já estava sem vida.

O corpo apresentava hematomas nos braços, mãos e pernas, além de diversos sinais de violência. A Polícia Militar foi chamada ao local e prendeu o pai em flagrante.

Durante a perícia, os investigadores encontraram câmeras de monitoramento dentro da residência. Os equipamentos foram apreendidos e serão analisados para verificar se as sessões de tortura eram gravadas. A corrente usada para prender a criança também foi recolhida.

Outras duas crianças que estavam na casa — um menino de 3 anos e uma menina de 12 — foram encaminhadas ao Conselho Tutelar.

A mãe de Kratos, que vive no interior de São Paulo, será ouvida como testemunha. Até o momento, ela não é investigada pela polícia.

 
 
 
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