Tutora relata peregrinação por clínicas no final de semana e critica altos valores cobrados por procedimento considerado inadequado por especialistas da Unesp.
SÃO MANUEL – Uma moradora de São Manuel viveu momentos de angústia que terminaram em um desfecho trágico para seu cão de estimação, o Pluts. Após sofrer um corte na orelha, o animal precisou de atendimento urgente, mas a falta de profissionais disponíveis e o que especialistas classificam como erro de conduta inicial resultaram na perda do membro do animal.
O caso levanta o debate sobre a carência de plantões veterinários acessíveis e eficazes no município, especialmente durante fins de semana e feriados.
FOTO MOSTRA ORELHA DO ANIMAL COMPLETAMENTE INFECTADA E COM SANGRAMENTO.
A Peregrinação por Socorro
De acordo com o tutora, o incidente começou com um pequeno corte na orelha de Pluts. Diante do sangramento, ele tentou contato com diversos números de veterinários da cidade, porém não obteve resposta de nenhum profissional.
"Liguei em todos os números de veterinários que achei em São Manuel e nenhum atendia. Mesmo chorando e implorando, ninguém deu a mínima. A resposta era sempre a mesma: não atendemos de final de semana, somente na segunda-feira", relatou o tutor, emocionado.
Sem alternativas, o proprietário recorreu a uma clínica localizada na cidade. No local, foi cobrado o valor de R$ 700,00 pelo procedimento. Segundo o relato, o veterinário realizou uma sutura com "milhares de pontos" e prescreveu apenas uma medicação.

Agravamento e Diagnóstico na Unesp
Desconfiado da técnica utilizada e da falta de melhora, o tutora buscou uma segunda opinião no Hospital Veterinário da Unesp, em Botucatu. Ao avaliarem o quadro, os profissionais da universidade informaram que o procedimento realizado anteriormente não era o indicado para o caso e que a intervenção acabou agravando a situação.
Devido à demora em receber o tratamento correto e às complicações da primeira cirurgia, a orelha do cão sofreu danos irreversíveis. Pluts agora terá que passar por um procedimento para a remoção total do membro.
Na última atualização recebida pela reportagem, o tutor permanecia no Hospital da Unesp, onde aguardava o início da cirurgia de Pluts para a remoção da orelha. O estado de saúde do animal é monitorado, mas a perda do membro é considerada inevitável pela equipe médica devido à gravidade da infecção e do trauma causado pelo primeiro atendimento.
Encaminhamento ao UVZ
Diante da gravidade dos fatos e da possível negligência ou imperícia relatada, a reportagem encaminhou o caso para a Unidade de Vigilância em Zoonoses (UVZ) de São Manuel. Em resposta, a UVZ de São Manuel se colocou à disposição para atender o animal com urgência.
O objetivo é que o órgão tome ciência da situação e avalie as condições de atendimento e a postura das clínicas particulares no município, além de verificar se houve eventual infração ética no atendimento prestado no primeiro momento.