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Correios fecham empréstimo de R$ 12 bilhões com bancos para enfrentar crise financeira
Por Moisés Moura
Publicado em 29/12/2025 13:20
BRASIL

Os Correios firmaram, na última sexta-feira (26), um empréstimo de R$ 12 bilhões com cinco dos principais bancos do país — Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal — como parte de um plano emergencial para enfrentar a grave crise financeira que atinge a estatal. O contrato foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) neste sábado (27).

O acordo tem validade até 2040 e conta com garantia da União, o que reduz os riscos para as instituições financeiras envolvidas. Com isso, caso os Correios não consigam honrar os pagamentos, o governo federal assume a responsabilidade pela dívida.

O empréstimo foi autorizado pelo Tesouro Nacional na semana passada e integra o plano de reestruturação da empresa. Inicialmente, os Correios buscavam captar R$ 20 bilhões junto a um consórcio de bancos, mas a proposta foi recusada por prever juros de até 20% ao ano. O valor aprovado acabou sendo reduzido para R$ 12 bilhões, dentro do limite considerado aceitável pelo Tesouro.

Segundo o governo, a operação respeitou os critérios exigidos para empresas estatais com planos de reequilíbrio financeiro e atende às normas de avaliação da capacidade de pagamento.

Crise financeira histórica

Os Correios enfrentam uma das piores crises de sua história. A estatal acumula prejuízos há 12 trimestres consecutivos e, apenas no primeiro semestre de 2025, registrou um rombo de R$ 4,36 bilhões — o maior já registrado.

Entre os principais fatores que contribuíram para o agravamento da situação estão:

  • aumento expressivo das despesas com pessoal;

  • mudanças no programa Remessa Conforme, que reduziram receitas com encomendas internacionais;

  • queda no fluxo de caixa;

  • crescimento das despesas com precatórios;

  • operação deficitária de cerca de 85% das agências.

Diante desse cenário, a nova gestão implementou um plano de reestruturação que inclui corte de custos, Programa de Demissão Voluntária (PDV), venda de imóveis ociosos, renegociação de contratos, redução da jornada de trabalho, alterações nos planos de saúde, retorno ao trabalho presencial e o lançamento de um marketplace próprio.

Privatização volta ao debate, mas é descartada por Lula

A crise reacendeu discussões sobre uma possível privatização dos Correios. No entanto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva descartou essa possibilidade e afirmou que a estatal seguirá sob controle público.

“Enquanto eu for presidente, não vai ter privatização. Pode ter parceria, economia mista, mas privatização não vai ter”, declarou.

Lula também reconheceu os problemas de gestão da empresa e afirmou que mudanças já estão em andamento. “Uma empresa pública não pode ser a rainha do prejuízo. Trocamos o presidente dos Correios, colocamos pessoas com experiência e vamos fazer as mudanças necessárias”, afirmou.

 

A expectativa do governo é que as medidas adotadas permitam recuperar a saúde financeira da estatal e garantir a continuidade dos serviços em todo o país.

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