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Boicote da direita gera reação no mercado, mas não causa prejuízo duradouro à Havaianas
Por Moisés Moura
Publicado em 25/12/2025 17:54 • Atualizado 25/12/2025 18:02
BRASIL

A nova campanha publicitária de fim de ano da Havaianas, estrelada pela atriz Fernanda Torres, virou alvo de debate político nas redes sociais e provocou reações de parlamentares ligados à direita. O comercial, lançado recentemente, traz a atriz dizendo que “não quer que você comece 2026 com o pé direito”, expressão popularmente associada à sorte, mas que foi interpretada por críticos como uma mensagem de cunho político e ideológico.

No vídeo, Fernanda Torres afirma:
“Desculpas, mas eu não quero que você comece 2026 com o pé direito. Não é nada contra a sorte, mas vamos combinar que sorte não depende de você. Depende da sorte. O que eu desejo é que você comece o ano novo com os dois pés. Os dois pés na porta, os dois pés na estrada. Os dois pés na jaca. Os dois pés onde você quiser — vai com tudo. De corpo e alma, da cabeça aos pés. Havaianas, todo mundo usa.”

A fala foi interpretada por apoiadores da direita como uma provocação política, principalmente pelo uso da expressão “pé direito”, que passou a ser associada, por parte do público, a uma crítica indireta ao espectro conservador. Nas redes sociais, usuários acusaram a marca de misturar publicidade com posicionamento ideológico e passaram a defender um boicote à empresa.

Entre os políticos que se manifestaram está o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que escreveu nas redes sociais: “Havaianas, nem todo mundo agora vai usar”, fazendo alusão ao tradicional slogan da marca. A deputada federal Bia Kicis (PL-DF) também criticou a campanha: “Se as Havaianas não nos querem, nós também não queremos as Havaianas”.

O deputado federal Eduardo Pazuello (PL-RJ) também se posicionou contra a ação publicitária, afirmando: “Que vergonha! Em pleno Natal, tempo de união, respeito e reconciliação, a Havaianas escolhe usar o marketing para provocar e dividir, sugerindo ‘não começar o ano com o pé direito’”.

Apesar das críticas, o vídeo teve ampla repercussão. Publicado na quinta-feira (18) no perfil oficial da Havaianas no Instagram, o conteúdo ultrapassou 6 milhões de visualizações em poucos dias. Usuários também notaram que o vídeo aparece apenas na aba Reels, e não no feed principal da marca, o que gerou especulações sobre uma possível tentativa de reduzir a exposição da peça publicitária.

Procurada, a Alpargatas — empresa dona da Havaianas — informou que não irá se manifestar sobre o assunto. A assessoria da atriz Fernanda Torres também não respondeu aos pedidos de posicionamento até a última atualização desta reportagem.

Nos dias seguintes à mobilização, as ações da Alpargatas — empresa controladora da Havaianas — registraram queda na Bolsa de Valores, com recuo estimado entre 2,4% e 2,7%, o que representou uma perda aproximada de até R$ 200 milhões em valor de mercado. O movimento foi interpretado por analistas como uma reação pontual do mercado à pressão política e à repercussão negativa nas redes sociais.

Apesar disso, o impacto não se sustentou. Já nos pregões seguintes, os papéis da empresa se recuperaram, voltando a subir e reduzindo significativamente as perdas. Especialistas avaliam que o episódio não comprometeu a saúde financeira da companhia nem afetou de forma duradoura o desempenho da marca.

Paralelamente, a repercussão do caso impulsionou a visibilidade da Havaianas nas redes sociais. O perfil oficial da marca registrou crescimento expressivo de seguidores, ultrapassando 150 mil novos seguidores em poucos dias, o que reforça a percepção de que o episódio também gerou engajamento e alcance de público.

 

Analistas de mercado avaliam que, apesar do barulho político, o impacto prático do boicote foi limitado. A marca segue forte no mercado nacional e internacional, e o episódio acabou funcionando mais como um termômetro da polarização política do país do que como um fator de prejuízo econômico estrutural.

 

Fontes:– Tribuna de Brasília – Diário do Comércio – DM.com.br (Diário da Manhã)

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