O empresário Daniel Vorcaro, 42 anos, dono e controlador do Banco Master, foi preso pela Polícia Federal na segunda-feira (17) ao tentar embarcar para a Europa em um avião particular no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. Segundo a PF, não há dúvidas de que ele pretendia fugir do país. A defesa do banqueiro e a assessoria do Banco Master ainda não se manifestaram.
A prisão ocorreu no contexto da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta terça-feira (18), que investiga um esquema de emissão e negociação de títulos de crédito falsos. De acordo com as apurações, o Banco Master teria criado CDBs prometendo rendimentos até 40% acima da taxa básica do mercado — valores que não eram pagos aos clientes.
Fraude estruturada e venda de papéis falsos
A PF afirma que o banco produzia títulos de crédito sem lastro ou com informações fraudulentas, apresentados como ativos legítimos. A investigação aponta a existência de uma estrutura organizada dentro da instituição, envolvendo dirigentes e colaboradores, para sustentar o esquema.
As investigações começaram em 2024, após requisição do Ministério Público Federal, indicando possível fabricação de carteiras de crédito insubsistentes. Esses papéis teriam sido vendidos a outra instituição financeira e, após fiscalização do Banco Central, substituídos por outros ativos sem avaliação técnica adequada.
Ao todo, foram cumpridos sete mandados de prisão e 25 de busca e apreensão em vários estados. Os envolvidos são investigados pelos crimes de gestão fraudulenta, gestão temerária, falsidade documental e organização criminosa.
Relação com o BRB e negócios públicos
Vorcaro ganhou notoriedade após o Banco Master firmar negócios de grande volume com o Governo do Distrito Federal, por meio do Banco de Brasília (BRB), que comprou títulos emitidos pelo Master. Esses papéis estão entre os investigados na operação.
Ligação com o Atlético-MG
O empresário também é acionista da SAF do Atlético-MG, dono de 20,2% da operação por meio do fundo Galo Forte FIP. A PF apura ainda a origem dos recursos utilizados, investigando possível conexão com o PCC.
Liquidação extrajudicial do Banco Master
Horas após a prisão, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master e determinou a indisponibilidade dos bens dos controladores e ex-administradores.
A decisão ocorreu no mesmo dia em que um consórcio liderado pela Fictor Holding Financeira anunciou a compra da instituição, operação que previa aporte imediato de R$ 3 bilhões por investidores dos Emirados Árabes Unidos. O negócio dependia de aprovação do Banco Central e do Cade, o que agora fica suspenso.
Histórico do Banco Master
Fundado em 1996, em Belo Horizonte, como Banco Investmaster, o banco passou por reestruturação e mudança de marca em 2018, quando Daniel Vorcaro assumiu o controle da instituição. Desde então, o Master se especializou em emissão e negociação de debêntures, notas promissórias e outros títulos de crédito. O grupo também mantinha a Master S.A. Corretora de Câmbio.
A prisão de Vorcaro e a intervenção do Banco Central marcam o momento mais crítico da trajetória da instituição, agora envolvida em um dos maiores escândalos recentes do sistema financeiro nacional.