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Afastado, prefeito de Sorocaba é proibido pela Justiça de falar com grupo de 10 investigados próximos a ele
Por Moisés Moura
Publicado em 15/11/2025 12:48
Região

O prefeito de Sorocaba (SP), Rodrigo Manga (Republicanos), segue afastado do cargo após determinação judicial decorrente da Operação Copia e Cola, que investiga suspeitas de corrupção na área da saúde do município. A Polícia Federal apura possíveis irregularidades envolvendo contratos firmados com a Organização Social (OS) Aceni, responsável pela gestão da UPA do Éden.

A decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), assinada em 20 de outubro, impôs três medidas cautelares ao prefeito por seis meses:

  • Proibição de acessar a Prefeitura de Sorocaba;

  • Proibição de manter contato com servidores municipais e com uma lista de investigados;

  • Afastamento do exercício do cargo de prefeito.

Investigados não podem ter contato com Manga

O documento enviado à Câmara Municipal lista dez pessoas, entre empresários, ex-secretários, ex-servidores e amigos do prefeito, com quem Manga está proibido de manter comunicação por qualquer meio. Entre os nomes citados estão:

  • Marco Silva Mott (empresário e amigo do prefeito, apontado como suposto operador);

  • Josivaldo Batista de Souza (cunhado do prefeito);

  • Simone Rodrigues Frate de Souza (cunhada do prefeito);

  • Rafael Pinheiro do Carmo (amigo e ex-servidor);

  • Cláudia Cenci Guimarães (empresária);

  • Fausto Bossolo (ex-secretário);

  • Vinícius Tadeu Sattin Rodrigues (ex-secretário);

  • Paulo Sirqueira Korek Farias (empresário);

  • Anderson Luiz Santana (empresário);

  • Sérgio Ricardo Peralta (empresário).

A esposa de Manga, Sirlange Frate Maganhato, também é investigada.

Prisão de dois suspeitos

Na quinta-feira (6), durante a segunda fase da operação, foram presos:

  • Marco Silva Mott, suspeito de atuar como lobista e lavar dinheiro em contratos da prefeitura;

  • Josivaldo Batista de Souza, pastor e cunhado do prefeito.

Defesas negam irregularidades

A defesa de Rodrigo Manga classificou a investigação como “nula” e “fruto de perseguição política”, afirmando não haver elementos que justifiquem o afastamento. Os advogados ingressaram com pedido de habeas corpus, negado pela Justiça. O prefeito seguirá afastado até abril de 2026.

Outros investigados também negam envolvimento em irregularidades e afirmam colaborar com as autoridades.

Origem da investigação

As apurações começaram em 2022, após suspeitas de fraudes na contratação da Aceni. Em 2024, documentos do Gaeco do Rio Grande do Sul, obtidos por interceptações telefônicas e quebra de sigilos, indicaram que a relação entre a organização e o grupo investigado teria começado antes mesmo das eleições municipais de 2020.

As informações reforçaram a atuação da PF, que deflagrou duas fases da Operação Copia e Cola, com buscas na casa do prefeito e em setores da administração municipal.

 

Manga, conhecido como “prefeito tiktoker”, ainda não tem previsão para retornar ao cargo enquanto continua a investigação da Polícia Federal.

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