As primeiras horas da manhã desta quarta-feira (29) foram marcadas por cenas de extrema violência na área de mata da Vacaria, na Serra da Misericórdia, região do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. Imagens fortes, que já circulam pelo mundo, mostram dezenas de corpos sendo retirados do local após intensos confrontos entre as forças de segurança e traficantes durante a megaoperação iniciada no início da semana.
Até o momento, o balanço oficial aponta 64 mortos, sendo 60 suspeitos e 4 policiais, além de 81 presos e 93 fuzis apreendidos. A operação, considerada a maior da história do estado, mobilizou cerca de 2.500 agentes das Polícias Civil e Militar, com apoio de helicópteros, drones e veículos blindados.
Entre os policiais mortos estão Rodrigo Velloso Cabral (34 anos), da 39ª DP; Marcus Vinícius Cardoso de Carvalho (51 anos), chefe de investigações da 53ª DP; e os cabo Cleiton Serafim Gonçalves e sargento Heber Carvalho da Fonseca, ambos do BOPE.

Segundo relatos de moradores, ainda há corpos espalhados pelo alto do morro. O ativista comunitário Raull Santiago, que auxiliou na retirada de vítimas, descreveu o cenário como um dos mais violentos já vistos:
“Em 36 anos de favela, passando por várias operações e chacinas, eu nunca vi nada parecido com o que estou vendo hoje. É algo novo. Brutal e violento num nível desconhecido.”
Os corpos foram trasladados para o Instituto Médico-Legal (IML) com o objetivo de facilitar o reconhecimento por familiares. O atendimento será realizado em um espaço anexo ao Detran, a partir das 8h. Durante o período, o acesso ao IML será restrito à Polícia Civil e ao Ministério Público, responsáveis pelos exames periciais.
Mais cedo, moradores chegaram a transportar seis corpos em uma Kombi até o Hospital Estadual Getúlio Vargas. O veículo entrou em alta velocidade e deixou o local logo em seguida.
A operação segue em andamento, e as autoridades informaram que novas atualizações serão divulgadas conforme o avanço das investigações e perícias na região.