Offline
Do mesmo PP, mas de lados opostos: a conta da infidelidade política chega para Serginho na Câmara
Vereadores Evaldo Serafim, Kleber Benvindo e Simone Cristina vão conduzir os trabalhos que podem resultar na cassação do mandato do parlamentar do PP.
Por Moisés Moura (MTB 01022885/SP)
Publicado em 04/11/2026 17:26 • Atualizado 04/11/2026 18:29
São Manuel

 

SÃO MANUEL (SP) — A aprovação por 11 votos a 1, na sessão de terça-feira (3), da denúncia por infração político-administrativa contra o vereador Serginho (PP) evidenciou o isolamento político do parlamentar na Câmara Municipal de São Manuel.

A votação ocorreu em meio aos desdobramentos de uma investigação da Polícia Civil sobre supostas movimentações financeiras envolvendo o vereador e o ex-parlamentar Davi Pires (Republicanos), que renunciou ao mandato.

A denúncia foi recebida pelo Legislativo, que agora dará andamento ao processo por meio de uma Comissão Processante. A decisão não representa uma condenação, mas marca o início dos trabalhos que poderão resultar na cassação do mandato.

Comissão Processante

A comissão responsável pela condução do processo foi definida com a seguinte composição:

  • Presidente: Evaldo Serafim de Arruda (PL);

  • Relator: Kleber Henrique Benvindo Alves Barbosa (Republicanos)

  • Membro: Simone Cristina Parente da Silva (PSD).

O grupo ficará responsável pela condução dos trabalhos, incluindo a realização de oitivas, análise dos documentos e cumprimento dos prazos regimentais.

O peso das alianças políticas

Mesmo pertencendo ao PP, a mesma legenda do prefeito Oirlei José Félix, Serginho manteve uma trajetória de aproximação com a oposição na Câmara.

Nos bastidores políticos, a avaliação é de que o afastamento da base governista contribuiu para o isolamento do parlamentar, especialmente após a renúncia de Davi Pires, apontado como um de seus principais aliados políticos.

A expressiva votação favorável ao recebimento da denúncia, inclusive com o apoio de integrantes do partido do prefeito, reforçou a percepção de que Serginho perdeu sustentação política dentro do Legislativo.

A situação também levanta questionamentos sobre o peso das alianças partidárias e políticas na condução de processos envolvendo vereadores.

Uma das dúvidas que circulam nos bastidores é se a denúncia teria avançado com a mesma rapidez caso Serginho tivesse mantido uma relação mais próxima com a base governista.

Como votaram os vereadores

A votação nominal registrou 11 votos favoráveis ao recebimento da denúncia e um contrário.

Votaram a favor:

  • Amarilto de Jesus Amato (PP);

  • André Ricardo Muscatelli (PSB)

  • Evaldo Serafim de Arruda (PL);

  • Fernando Henrique da Silva dos Santos PSD;

  • Kleber Henrique Benvindo Alves Barbosa (REPUBLICANOS);

  • Matheus José Félix (UNIÃO);

  • Dr. Omar Mattielli de Carvalho (PL);

  • Paulo Roberto Zaparolli (PODE);

  • Simone Cristina Parente da Silva (PP);

  • Vanessa Gimenez Di Lello (PODE).

  •  Silvinho do Transporte (PP)

A vereadora Letícia Castaldi (PSD) foi a única a votar contra o recebimento da denúncia.

O presidente da Câmara conduziu os trabalhos e não participou da votação, conforme o procedimento adotado na sessão.

Próximos passos

Com a comissão definida, o processo seguirá os trâmites previstos na legislação e no regimento interno da Câmara.

A Comissão Processante deverá conduzir a apuração, ouvir os envolvidos e analisar os elementos apresentados na denúncia, assegurando o direito de defesa ao vereador.

Ao final dos trabalhos, será elaborado um parecer que poderá recomendar o arquivamento do processo ou o prosseguimento para julgamento em plenário.

O desfecho dependerá da análise dos fatos e da votação dos vereadores, não sendo possível afirmar, neste momento, que o recebimento da denúncia resultará na cassação do mandato.

Comentários
Comentário enviado com sucesso!